sábado, 17 de novembro de 2012

Justiça nega liberdade a acusado de matar PM durante perseguição em MT




A Justiça negou pedido de liberdade em favor de um homem de 32 anos, acusado de matar o policial militar Alex Oliveira Suzarte da Silva, em janeiro deste ano, durante uma perseguição após um assalto a um estabelecimento comercial em Poconé, a 104 quilômetros de Cuiabá. A 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) manteve a decisão do juiz Ramon Fagundes Botelho, da Vara Única da Comarca de Poconé, que havia negado pedido de habeas corpus e ainda decidiu que o acusado deverá ir a júri popular pela morte do PM. A data do julgamento, no entanto, ainda não foi agendada.


Consta do processo que o acusado teria roubado R$ 1,8 mil de uma lanchonete no Centro da cidade junto com um comparsa e, na fuga, caiu da motocicleta e entrou em luta corporal com o PM. Durante a briga, um dos criminosos atirou contra o policial e o atingiu na cabeça. A vítima não resistiu aos ferimentos e morreu na hora.


Em depoimento, o acusado confessou a participação no roubo, bem como confirmou ter escondido a arma de fogo que pertencia à vítima. No entanto, alegou que não pretendia matar o policial. "O acusado confessou a participação no delito de roubo, confirmou ter escondido a arma de fogo que pertencia à vítima e afirmou ter tido contato com a vítima no dia dos fatos, alegando em sua defesa o disparo acidental e que tudo ocorreu somente porque o réu teria ouvido um barulho semelhante a um engatilhamento da arma da vítima e que, por tal razão, agiu por temer por sua vida", diz trecho do processo judicial.


Além do acusado, um adolescente de 16 anos também foi detido suspeito de envolvimento no assalto à lanchonete. Logo após a detenção, o garoto confirmou ter participado do crime.


Meses antes de morrer, o policial escreveu um poema relatando a rotina de ser policial. Intitulado de ‘Enquanto todos dormem’, o poema descreve algumas dificuldades enfrentadas pela vítima a cada turno do trabalho. Ele deixou a carta com a esposa e pediu que se algo acontecesse com ele o poema fosse lido para todos. "A gente não sabia dessa carta com esse poema. Ele escreveu e pediu para a esposa guardar sob a condição de que caso acontecesse algo com ele, a carta deveria ser lida para todos”, declarou Enéias Suzarte da Silva Neto, pai de Alex.


De acordo com a família, o poema foi escrito por Suzarte cerca de três meses antes de morrer. Em determinado trecho do poema, o policial fala sobre a morte. “Enquanto todos dormem, estou dividido entre o medo da morte e a árdua missão de fazer segurança pública”. Em outro momento, Alex fala do futuro e da vontade de voltar para a família.


“Enquanto todos dormem, eu sonho acordado com um futuro melhor, com o devido respeito, com um salário justo, com dias de paz, mas principalmente com o momento de voltar para casa e de olhar minha esposa e filhos e dizer-lhes que foi difícil sobreviver à noite anterior, que foi cansativo e até frustrante, mas que estou de volta, e que tenho por eles o maior amor do mundo”, diz o poema.


O policial era casado e deixou três filhos, o menor deles, uma menina, que na época do crime tinha apenas 10 meses de idade.


Fonte: http://g1.globo.com

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