quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Leitura do relatório da CPMI do Cachoeira é adiada para quarta-feira




Foi adiada para a próxima quarta-feira (28) a leitura do relatório final do deputado Odair Cunha (PT-MG), da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a investigar o esquema criminoso de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. O adiamento foi pedido pelo relator.

Na abertura da reunião da CPI, Odair Cunha pediu aos demais integrantes da comissão para ler seu relatório na próxima semana. Ele disse ainda estar dialogando com os “pares” do colegiado, o que evidencia uma possível mudança no texto a partir de sugestões de senadores e deputados.

Após o pedido de novo adiamento, o presidente Vital do Rêgo marcou a leitura do texto para a próxima quarta-feira. O deputado Carlos Sampaio discordou do adiamento e disse que o relator está “intranquilo” e “inseguro” quanto ao conteúdo do documento.

O senador Randofe Rodrigues, por sua vez, concordou com Odair: "Acho de bom tom o adiamento, visto que a leitura seria feita numa CPI esvaziada hoje", disse, referindo-se à baixa presença de parlamentares no plenário da comissão.

O deputado Miro Teixeira também manifestou apoio ao relator. "Isso é uma tentativa de ponderação sobre o conteúdo do próprio relatório. Se temos a chance de aprovar um texto que mais se aproxime de pensamento médio, não acho que seja questão de insegurança", afirmou. 

A leitura estava prevista para esta manhã, por uma questão regimental. Vários parlamentares já tinham pedido adiamento e há um pedido de vista, que só poderá ser votado depois de encerrada a leitura.

A leitura estava prevista para ontem, mas foi transferida para hoje após parlamentares reclamarem que não tiveram tempo de ler o texto, com mais de 5.100 páginas.

O relatório acusa 46 pessoas de terem ligação direta com o esquema ilegal de Cachoeira e pede o indiciamento de 34 agentes privados e a responsabilização de 12 agentes públicos com foro privilegiado.

O documento afirma ainda que o esquema comandado por Cachoeira trabalhava com empresas em três áreas distintas, como vértices de um triângulo:

- atividades ilegais, nas quais estão as corporações de jogos e factoring;

- atividades legais, em que aparecem companhias farmacêuticas e de mídia relacionadas ao grupo de Cachoeira;

- empresas fantasmas e mundo político, área que engloba a relação das empresas de fachada que recebiam recursos da Delta e de outras companhias.

Conforme o texto, a relação da Delta com o grupo de Cachoeira era limitada à região Centro-Oeste, com destaque para Goiás. A única exceção, afirma Odair Cunha em seu relatório, é Tocantins, onde o contraventor teria se associado à Construtora Rio Tocantins (CRT), de modo similar ao que ocorreu com a Delta.

Para o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), a CPMI fechou a investigação a empresas no Distrito Federal e Goiás e não votou requerimentos para quebrar sigilo de outras possíveis laranjas da Delta em estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará, em um total de recursos desviados de até R$ 550 milhões. “Curiosamente, o relator apresenta a proposta que o Ministério Público investigue aquilo que ele, por três meses, se negou a fazer na CPMI”, sustentou. 

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