sexta-feira, 23 de novembro de 2012

MP move ação contra União e coronel da reserva




O MPF (Ministério Público Federal) moveu nesta quinta-feira (22) ação civil pública na Justiça contra a União e o coronel da reserva do Exército Lício Augusto Ribeiro Maciel, pela prisão ilícita, tortura e homicídio de quatro militantes do Molipo (Movimento de Libertação Popular), que combatia a ditadura militar, em cidades do Tocantins, nos anos 1970.

Em julho, foram divulgadas fotos inéditas do corpo de Ruy Carlos Vieira Berbert, um dos mortos do Molipo, e relatórios com informações sobre a prisão e morte de outros três integrantes do movimento — Jeová Assis Gomes, Boanerges de Souza Massa e Arno Preiss.

Os corpos dos quatro militantes nunca foram localizados. Moradores de Natividade, em Tocantins, disseram que Berbert chegou a ser enterrado no cemitério da cidade. O MP pede que a prisão onde Berbert foi encontrado morto seja preservada.

O MP quer também que a União seja declarada responsável pelos crimes e "pela omissão em não ter identificado as circunstâncias e os responsáveis pelos atos desumanos praticados".

Ao lado do também coronel da reserva Sebastião Curió, Maciel, conhecido pelo codinome Dr. Asdrúbal, integrou as tropas do Exército que esmagaram a Guerrilha do Araguaia (1972-1974).

Os dois estão entre os agentes da repressão mais processados no País pelo MP por graves violações de direitos humanos.

Ouvido pela reportagem, Maciel mostrou-se indignado com a denúncia.

— Estava combatendo comunistas guerrilheiros, como esses vagabundos da Molipo. Os que resistiram, morreram; quem não reagiu, viveu.

A Advocacia Geral da União vai sustentar, como tem feito em casos semelhantes, que os crimes atribuídos ao regime militar foram perdoados pela Lei da Anistia, de 1979. A Justiça tem acatado essa argumentação.

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