sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Mudança de rumo na guerra de São Paulo




Rio - No dia em que Fernando Grella assumiu a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, o destaque ficou pela forte declaração do delegado-geral Marcos Carneiro de Lima, que insinuou a participação de policiais nas chacinas que estão ocorrendo na Grande São Paulo. O delegado revelou que algumas das pessoas assassinadas — só ontem, foram mais oito — tiveram seus nomes investigados no sistema de informações da polícia antes dos crimes.

“Algumas das vítimas tiveram, sim, seus antecedentes consultados momentos antes de serem mortas. O que posso dizer é que há indícios de extermínio. Sobre o grupo ainda estamos investigando”, afirmou o delegado, que com a posse do novo secretário colocou o cargo à disposição.

Durante o discurso de posse, Fernando Grella deu sinais de como será a sua gestão frente à pasta, apostando numa guinada na política de segurança. “É preciso desfazer a noção equivocada de que o combate firme ao crime e o respeito aos direitos humanos são excludentes”, disse.

A afirmação foi vista com bons olhos pelo coordenador-geral do Movimento Nacional dos Direitos Humanos, Rildo Marques, que espera uma mudança de postura do governo estadual na luta contra o crime. “Achamos esta declaração positiva. Você não pode combater violência com mais violência”, falou.

Rota deve perder espaço e prestígio

Outro objetivo do secretário de Segurança Pública do de São Paulo, Fernando Grella Vieira, será promover a integração entre as duas instituições responsáveis pela segurança no Estado. O seu antecessor, Antonio Ferreira Pinto, foi criticado por limitar a atuação da Polícia Civil e dar mais poder à Rota, vinculada à Polícia Militar.

Uma das primeiras medidas de Fernando Grella deverá ser mudar o comando da PM e da Polícia Civil, que hoje são administradas por Roberval França e Marcos Carneiro Lima, respectivamente.

Quem está otimista com o novo secretário é o integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Guaracy Mingardi, que fez uma projeção de como deverá ser a gestão. “Eu não acredito em grandes mudanças, mas o atual secretário tem o perfil de agregar forças enquanto o antigo trabalhava com a Rota, que tem menos de mil homens. Quanto ao resto vai depender de quem será nomeado para a função de comandante da Polícia Militar e delegado-geral”, afirmou o cientista político. 

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