quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Política não pode contaminar ações contra o crime






Editorial

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, assegura que desde junho a Pasta vem oferecendo ajuda ao governo de São Paulo, na área de segurança pública, para conter a escalada da violência insuflada por grupos organizados de marginais. Somente nas últimas semanas, o assassinato de 47 pessoas, incluindo policiais, tornou evidente que os crimes obedecem a uma orquestrada tática terrorista para emparedar o poder constituído. O governador Geraldo Alckmin, no entanto, nega que tenha recebido qualquer manifestação neste sentido.

Desse jogo de empurra resultam duas lamentáveis constatações: a primeira é que o desajuste entre o Planalto e o Palácio dos Bandeirantes fornece combustível ao projeto criminoso de aterrorizar o estado; a segunda: o combate ao crime organizado, que inescapavelmente pressupõe adotarem-se ações integradas entre as esferas do poder público, em São Paulo parece ter sido contaminado por disputas político-partidárias. Nos dois casos, perde a sociedade, vítima até aqui indefesa de bandidos cada vez mais audaciosos e, aparentemente, de intrigas palacianas.

Os ataques a policiais, incêndios de ônibus e, segundo relatos colhidos pela imprensa, a imposição de toques de recolher à população de alguns bairros têm a mesma impressão digital. São ações comandadas pela facção monopolista do crime organizado paulista, que, mesmo com a prisão de alguns de seus principais chefes, continua ativa no estado. Sintomaticamente, presos, bandidos do alto da cadeia de comando transformaram os presídios em territórios de onde operam seus "negócios" e mantêm o controle da organização.

Pode-se discutir a quem cabe responsabilidade maior pela leniência no front paulista de combate ao crime. Mas, independentemente disso, há uma situação de fato nas ruas que reclama pronta e eficaz resposta das autoridades. Neste sentido, é crucial que o governo paulista rediscuta sua estratégia contra o poder da criminalidade. Brasília, por sua vez, precisa reconhecer que há brechas na política nacional de segurança - uma delas, apontada pelas autoridades paulistas, é o tíbio controle de fronteiras, por onde entram as drogas que oxigenam o caixa do tráfico e as armas com que os bandidos impõem seu poder de intimidação. Mas a falha na esfera federal não ofusca erros na política de segurança estadual.

O combate ao crime organizado, uma ação de Estado, implica a integração entre os entes da Federação. Há dois anos, acuado por atentados semelhantes, o Rio reagiu com o apoio de forças federais, retomou áreas até então inexpugnáveis do crime organizado e adotou um novo, e eficaz, protocolo nas ações contra o banditismo. Este é o caminho: o da colaboração e do entendimento, com o devido expurgo de picuinhas partidárias, seja em São Paulo ou qualquer outra região do país.

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