sábado, 3 de novembro de 2012

Roubos a transportadoras de valores abastecem quadrilhas






De R$ 107 milhões levados em SP, só R$ 2,4 milhões são recuperados

SÃO PAULO Dinheiro novo e contado, pronto para ser distribuído, ajuda a financiar o crime organizado em São Paulo. Nos últimos seis anos, foram levados de empresas de transporte de valores no estado R$ 107,5 milhões, dos quais apenas R$ 2,4 milhões foram recuperados. O levantamento foi feito pela Associação Brasileira de Transporte de Valores (ABTV) e entregue ao deputado estadual Sérgio Olímpio Gomes (PDT), ex-oficial da PM. Nos últimos três anos, dos R$ 165,4 milhões roubados de empresas de transporte de valores do país, 47% foram levados em assaltos e ataques a carros-fortes ocorridos em São Paulo. Em apenas dois grandes assaltos na sede de empresas, em 2009 e 2011, foram subtraídos R$ 54,776 milhões.

O que intriga as empresas é o fato de, mesmo quando a polícia alcança a quadrilha, a maior parte do dinheiro, acondicionado em sacos de lona, não é recuperada. Para se ter uma ideia, mais da metade de todo o dinheiro roubado da Prosegur no mundo é de ocorrências no Brasil. Ela está presente em 15 países: Alemanha, Argentina, Brasil, Chile, Cingapura, Colômbia, Espanha, França, Índia, México, Paraguai, Peru, Portugal, Romênia e Uruguai.

É muito dinheiro, e ele está financiado o crime organizado, com compra de armas e drogas - diz Olímpio Gomes.

Em ações ousadas, as quadrilhas fecham estradas e interceptam os carros-fortes, embora as equipes nem sempre façam o mesmo caminho para levar o dinheiro aos clientes. No último dia 8 de outubro, um carro-forte da Protege foi interceptado na rodovia que liga Campinas a Itatiba. O tiroteio prosseguiu por cerca de um quilômetro. Segundo Gomes, os criminosos, que usaram vários carros, bloquearam o tráfego e cruzaram um veículo à frente do carro-forte, abrindo fogo primeiro contra o motor e, em seguida, para romper a blindagem. O cofre do carro foi explodido com dinamite e foram levados cerca de R$ 2 milhões. Acionados por motoristas que transitavam pela rodovia, policiais militares tentaram perseguir os assaltantes. Três ficaram feridos. O assalto ocorreu por volta de 19h, provocando um congestionamento de cerca de dez quilômetros.

De acordo com Gomes, a região de Campinas registrou 25 ataques a carros-fortes nos últimos seis anos. Há quatro meses, um vigilante de carro-forte foi morto num assalto, a tiros de fuzil, e até agora os outros vigilantes que estavam com ele não foram ouvidos pela polícia.

Ouvir as testemunhas é algo básico para começar uma investigação - diz ele.

Gomes afirmou que participou de um encontro entre as empresas e integrantes da cúpula da polícia de São Paulo, mas os dois lados trocaram acusações.

A polícia diz que há funcionários das empresas envolvidos. As empresas, por sua vez, queixam-se da morosidade das investigações. É preciso dar soluções a essas questões - afirma Gomes.

De 2009 a 2012, seis vigilantes de empresas foram mortos, e 22 ficaram feridos em assaltos. Em agosto passado, a família de um vigilante foi sequestrada em Campinas, e ele colaborou com os marginais, que levaram R$ 2,5 milhões. Segundo Gomes, as empresas decidiram não pagar resgate de seus funcionários ou de parentes deles.

No último dia 14, uma quadrilha cavou túnel e invadiu a empresa Protege em Santo Amaro. O alarme soou, e o assalto foi frustrado pela polícia, mas R$ 700 mil desapareceram.

Você imagina R$ 700 mil perdidos no esgoto? - ironiza o deputado.

Por Cleide Carvalho


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