quinta-feira, 22 de novembro de 2012

São Paulo faz troca de comando durante ‘guerra’




São Paulo - A onda de violência em São Paulo fez mais uma vítima. Desta vez na alta cúpula do governo paulista, que anunciou a troca do secretário de Segurança Pública do Estado. Ontem, o governador Geraldo Alckmin confirmou a exoneração de Antonio Ferreira Pinto, que pediu dispensa do cargo, e anunciou Fernando Grella Vieira, ex-procurador-geral da Justiça paulista, para assumir a pasta.

“Ele colocou o cargo à disposição e eu quero agradecer a ele, que trabalhou com competência e honestidade. Fernando Grella tomará posse amanhã (hoje) e está preparado para trabalhar com a gente. Nós reconhecemos as dificuldades que estamos passando e vamos redobrar o trabalho”, justificou Alckmin.

Depois de quase sete anos na SSP (Secretaria de Segurança Pública), Ferreira Pinto atravessava um período de intenso desgaste. Pouco antes da onda de violência nas periferias da capital e de cidades do interior chamar a atenção das autoridades, ele chegou a dizer no início de outubro que a facção que organiza o crime de dentro dos presídios, se resumia a um total de 40 indivíduos, bem aquém dos mais de 1,3 mil apontados em relatório do Ministério Público divulgado no mesmo mês.

Além disso, Ferreira Pinto encontrou resistência em setores da polícia para implementar a estratégia de combate à corrupção e acabou por reacender o racha entre PMs e agentes da Polícia Civil.

Em Franco da Rocha, dois jovens conseguem fugir após rebelião

O novo secretário de segurança pública de São Paulo, Fernando Grella Vieira, já percebeu que não terá uma missão fácil. No mesmo dia que foi anunciado para assumir o cargo, o novo comandante viu os 68 adolescentes internos da Fundação Casa iniciarem uma rebelião em Franco da Rocha (SP). No tumulto, dois jovens conseguiram fugir.

Dois funcionários da instituição foram feridos pelos internos na confusão, mas acabaram socorridos e passam bem, segundo informação da assessoria da Fundação. Durante a rebelião, os 68 adolescentes (capacidade máxima do local) pintaram no chão o número 1533, sigla que faz referência à organização criminosa que vem sendo responsabilizada pela onda de crimes na capital paulista e na Grande São Paulo.

A rebelião teve duração de quatro horas e ninguém foi feito de refém. Nenhuma autoridade foi ao local negociar com os internos, que conversaram com a Corregedoria. Será aberta uma investigação sobre a fuga.

Rixa entre as polícias será a 1ª missão

Depois de dois mandatos à frente do Ministério Público de São Paulo, o procurador Fernando Grella Vieira assume oficialmente hoje a Secretaria de Segurança Pública paulista com o objetivo imediato de colocar um ponto final na recente onda de ataques, que acumula mais de 180 casos de homicídios na Grande São Paulo no último mês.

Além disso, Grella tem a tarefa de aparar as arestas entre as polícias Militar e Civil em meio ao combate ao crime organizado.

Além de assumir a pasta no governo paulista, Grella seguirá nas funções de secretário da Procuradoria de Justiça Cível do Ministério Público estadual e como vice-presidente da Associação Paulista do Ministério Público. 

Reportagem: André Pires e Daniel Carmona

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