segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Sargento da PM nega ter agredido cinegrafista, diz polícia do ES




O sargento da Polícia Militar reformado Cristiano Lepaus, suspeito de ter participado da agressão ao cinegrafista Wagner Martins no dia 28 de outubro, chegou à Delegacia Patrimonial por volta das 15h desta segunda-feira (5), acompanhado de um advogado. No depoimento, que durou cerca de 30 minutos, ele negou ter agredido Martins. "O senhor que está falando", respondeu o PM ao ser questionado pela reportagem se havia agredido o cinegrafista.
A violência aconteceu no comitê do Partido da República (PR), em Vila Velha, após a derrota de Neucimar Fraga (PR). O cinegrafista e o repórter André Falcão foram agredidos por simpatizantes do atual prefeito com chutes e socos. Martins caiu desmaiado e foi ferido em uma perna. Ele foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e hospitalizado. Nas imagens da agressão, Lepaus aparece usando uma camisa vermelha listrada. Segundo a polícia, ele disse que era um dos apoiadores de campanha de Neucimar.
Na saída, o sargento afirmou apenas que o que tinha para dizer estava escrito em seu depoimento. "Está lá, tudo escrito lá. Não tenho nada a declarar não", falou. A equipe de reportagem da TV Gazeta teve acesso ao depoimento, no qual Cristiano Lepaus nega ter agredido o cinegrafista, conta ser amigo de Neucimar e afirma não ter visto quando as agressões começaram. O militar disse ainda que tentou conter o tumulto enquanto tudo acontecia.
O delegado Alexandre Passamani já colheu os depoimentos de cinco suspeitos. O laudo do exame de Corpo de Delito do cinegrafista chegou nesta segunda e confirma que Martins foi agredido de forma contundente. Para concluir as investigações, Passamani segue analisando as imagens e conta ainda com os laudos da perícia dos equipamentos de filmagem danificados e do repórter André Falcão. "Tentaremos também identificar outros agressores por meio de testemunhas", disse o delegado.
Mais suspeitos
Quatro pessoas suspeitas de terem participado da agressão foram ouvidas pelo delegado Alexandre Passamani até a quinta-feira (1), na Delegacia Patrimonial. O professor de educação física Neilson de Oliveira, que foi exonerado de seu cargo na Secretaria de Saúde da prefeitura, prestou depoimento e tentou justificar a atitude. "Estávamos em um ambiente onde as pessoas estavam exaltadas, movidas pela emoção e as imagens puderam registrar aquele momento", explicou, em uma tentativa de justificar o ato.
Além do professor, a polícia também já ouviu o ambulante Leonardo Epifânio, que aparece nas gravações empurrando e jogando no chão o cinegrafista Wagner Martins, da TV Gazeta. Ele pediu desculpas pelo ocorrido e explicou que estava alcoolizado, pois havia ingerido 20 latas de cerveja.
O delegado também ouviu a versão do coordenador da campanha de Neucimar Fraga, Sílvio Henrique Caetano, que, segundo testemunhas, seria o principal agressor. "Eu não agredi ninguém. O esclarecimento já foi prestado para o delegado e quem vai tomar as atitudes vai ser a Justiça", declarou o coordenador na quarta-feira (31), negando o fato.
O radialista Alair da Silva, que também foi ouvido, justificou a participação como uma tentativa de ajudar o cinegrafista e evitar o tumulto. De acordo com o delegado Alexandre Passamani, várias pessoas que prestaram depoimento negaram as agressões, mas as imagens vão ajudar a punir os verdadeiros culpados.
"As imagens falam por si só. Alguns alegaram que não praticaram as ofensas, outros alegaram que só tentaram praticar e alguns dizem que tentaram apartar a confusão. As imagens mostram que houve agressão, então não há justificativas legal para o ato praticado", disse.
Cabos eleitorais
Após o ocorrido, os cabos eleitorais alegaram que a Rede Gazeta manipulou os resultados da eleição em Vila Velha e, por isso, agrediram os profissionais. Equipes de outras emissoras que registravam a cena tiveram seus equipamentos destruídos pelo grupo de agressores.
Isenção jornalística
Os profissionais da Rede Gazeta seguem um guia, entregue pela empresa antes do início da cobertura eleitoral, em que estão os princípios básicos para um trabalho de qualidade: isenção e imparcialidade. Neste guia, a Rede Gazeta deixa claro que não possui candidatos e a cobertura eleitoral feita pela empresa foi regida por estes princípios.
Os veículos da Rede Gazeta, sendo o portal G1, o telejornal ESTV, a rádio CBN e o jornal A Gazeta, entrevistaram os candidados do segundo turno Rodney Miranda e Neucimar Fraga com espaços iguais na cobertura de campanha, inclusive durante o primeiro turno.
Dentre as pesquisas de intenção de votos divulgadas pelo jornal, uma era liderada por Rodney Miranda, e diversas outras por Neucimar Fraga. O portal G1 e o telejornal ESTV também divulgaram as agendas dos candidatos, enviadas pelas assessorias de imprensa.
Fonte: http://g1.globo.com

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