segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Brasileiro confia mais no Supremo do que no Congresso, diz pesquisa Ibope





Imagem institucional. Parlamento fica em último lugar em levantamento sobre índice de confiança das instituições do País, atrás da polícia e do sistema eleitoral, enquanto o STF é mais bem avaliado que o Judiciário como um todo; bombeiros lideram ranking

José Roberto de Toledo Daniel Bramatti

Envolvido em um conflito com o Poder Legislativo em torno do mensalão, o Supremo Tribunal Federal leva vantagem na batalha pela opinião pública. Pesquisa Ibope mostra que o STF tem um índice de confiança entre a população maior do que o do Congresso Nacional: 54 a 35, numa escala que vai a 100.

Marco Maia e Joaquim Barbosa, presidentes da Câmara dos Deputados e do STF, respectivamente, estão em campos opostos desde que o plenário do tribunal decidiu cassar os mandatos dos deputados federais condenados no processo do mensalão. Maia reagiu à sentença e, na semana passada, afirmou que só o Legislativo tem a prerrogativa de cassar seus próprios integrantes, o que gerou o impasse.

Comparando-se aos 83 pontos do Corpo de Bombeiros sempre a instituição mais bem avaliada pela população nem o Supremo nem o Parlamento estão especialmente bem aos olhos do público. Mas os 19 pontos de vantagem dos ministros de toga em relação aos congressistas estão além de qualquer margem de erro.

Evolução.

É a primeira vez que o Ibope mede o índice de confiança no STF e não há como saber se ele cresceu ou diminuiu durante os 136 dias do julgamento do mensalão, nos quais o tribunal esteve em evidência nos meios de comunicação. Mas uma pista é dada pela evolução da confiança no Judiciário. Entre junho e dezembro, o índice oscilou de 53 para 47 pontos. Os brasileiros estão mais confiantes no Supremo (54) do que na Justiça (47) de modo geral.

Há diferenças, porém, do grau de confiança no STF entre os brasileiros. Os mais confiantes são os mais ricos (60 pontos entre quem tem renda familiar superior a 10 salários mínimos), os moradores das regiões Norte e Centro-Oeste (60 pontos) e os com 50 anos ou mais de idade : (56 pontos).

Impopular

Das sete instituições pesquisadas pelo Ibope em dezembro, o Congresso foi a que inspirou menos confiança na população. Seu índice de 35 pontos é inferior aos 40 da polícia, aos 54 do sistema eleitoral e aos 60 dos meios de comunicação, por exemplo.

Em junho, o Ibope pesquisou um número maior de instituições, e o Congresso ficou em penúltimo lugar, à frente apenas dos partidos políticos: bateu 36 pontos contra 29. Se serve de consolo, nesses seis meses a desconfiança da população em relação aos parlamentares manteve-se estável.

Se o Supremo bate o Congresso aos olhos do público, ambos perdem para o chefe do Executivo federal. Em junho, a Presidência da República chegou a 63 pontos de confiança, enquanto o governo ficou 10 pontos abaixo.

O Ibope não avaliou a Presidência nem o governo federal na mesma pesquisa que analisou o STF e o Congresso em dezembro. Mas outra sondagem feita no mesmo período também pelo Ibope mostra que a confiança da população em Dilma Rousseff é maior do que nos outros dois Poderes: 73% dizem que confiam na presidente, mesma taxa obtida em setembro.

Dados permitem comparação com outros países

0 índice de confiança social foi criado pelo Ibope para comparar o quanto a população confia em cada uma das principais instituições do País e no seu conjunto. A metodologia permite que os valores sejam comparáveis entre países também.

Para cada uma das 22 instituições sociais e políticas avaliadas o Ibope perguntou aos cidadãos com 18 anos ou mais se tinham "muita", "alguma", "pouca" ou "nenhuma" confiança. Cada resposta tem peso 100,66,33 ou zero, proporcional à intensidade da confiança. 0 índice é a soma das alternativas dividida pelo número de respostas. Assim, uma instituição que tivesse 25% para cada uma das quatro alternativas (muita confiança, alguma, pouca ou nenhuma) acabaria com um índice final de 50, em uma escala até 100. Quanto mais alto é o valor, maior é o grau de confiança da população naquela instituição. A média aritmética simples de todas as instituições é o índice de confiança social de cada país.



índices mostram estabilidade institucional

O Brasil parece uma ilha de estabilidade, em relação à Argentina, quando se compara a evolução do grau de confiança nas instituições nos dois países.

Enquanto os índices da Argentina variam aos solavancos, os do Brasil evoluem de maneira mais suave um indicador da ausência de crises ou acontecimentos que mobilizem a opinião pública numa ou noutra direção.

É possível comparar a percepção de brasileiros e argentinos sobre distintas instituições porque o Ibope usa a mesma metodologia em pesquisas sobre o assunto, ano a ano, desde 2009.

O índice de Confiança Social sobre o governo do Brasil, por exemplo, era de 53 (emuma escala até 100) há quatro anos, mesmo patamar em que se encontrava em junho deste ano data da última pesquisa feita nos dois países. No período, a maior variação foi de 7 pontos, entre 2010 (59) e 2011 (52).

Já no país vizinho, a confiança no governo saiu de um nível bem mais baixo em 2009 (29), dobrou nos dois anos seguintes, chegando a 60, e desabou 18 pontos em 2012, chegando a 42.

As opiniões dos brasileiros sobre os partidos políticos e o Congresso Nacional praticamente não variaram nos últimos quatro anos. No caso dos argentinos, os dois itens tiveram um saltó próximo a 10 pontos em seus índices de confiança em 2011, mas voltaram a cair para o patamar de origem em 2012.

Há outra diferença entre brasileiros e argentinos: os primeiros mantêm praticamente estável o nível de confiança no governo, mas confiam cada vez menos nos serviços prestados por ele. Desde 2009, por exemplo, houve queda de 7 pontos no índice de confiança dos brasileiros em relação ao sistema público de saúde (de 49 para 42). O mesmo ocorreu em relação às escolas públicas (de 62 para 55).

Já os moradores do país vizinho, cujo grau de desconfiança em relação ao governo é bem maior, estão bem mais satisfeitos com a educação (aumento de 63 para 69 pontos) e a saúde públicas (de 58 para 64).

Alvo de ataques freqüentes do governo da presidente Cristina Kirchner, os meios de comunicação argentinos mantiveram seu nível de confiança praticamente intocado nos últimos quatro anos (57 em 2009,58 em 2012). No Brasil, esse índice caiu nove pontos em quatro anos, de 71 para 62. /D.B.e J.R.T.

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