sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Polícia Militar investiga abuso e toque de recolher na UPP Borel




Disparos no alto do morro levaram os policiais a fazer a "recomendação", diz assessoria da Polícia; versão é combatida por moradores da comunidade que estão "apreensivos"

A Polícia Militar já tem a sua versão para o suposto toque de recolher do último dia 28, que mobilizou os moradores do Morro do Borel, anteontem, na Tijuca. Enquanto o comandante das Unidades de Polícia Pacificadora, Rogério Seabra, diz que vai investigar se tal medida realmente ocorreu, a asssessoria garante que policiais da UPP tomaram a decisão após ouvir disparos no alto do morro, temendo por um conflito que pudesse prejudicar a população.

João Laet / Agência O Dia

Moradores protestam contra suposto toque de recolher na comunidade, que estaria sendo imposto por PMs

A versão, no entanto, continua sendo rebatida por alguns moradores. A assistente social e moradora do Borel, Cláudia Marques, 40 anos, afirma que não houve disparos. “Isso é uma versão para eles responsabilizarem a comunidade. Ninguém comentou sobre estes tiros. Estamos denunciando apenas alguns policiais”, lembrou. O comando das UPPs já tem os nomes dos quatro policiais acusados de cometerem arbitrariedades.

“São mais de 200 policiais naquela UPP e vamos tentar descobrir quem são esses denunciados, para saber o que aconteceu. Dialogamos com a população no mesmo dia do protesto, mas estamos apurando se houve isso (toque de recolher) ”, comentou Rogério Seabra.

Mesmo após o protesto, alguns moradores ainda demonstram medo de que outras noites com toque de recolher aconteçam no Borel. “Vamos continuar cobrando explicações do comando das UPPs. O toque de recolher e as ameaças não podem acontecer mais. Estamos apreensivos”, disse Mônica Santos, integrante do Movimento Ocupa Borel.

Para Leonardo Mota, o MC Leonardo, presidente da Associação dos Profissionais e Amigos do Funk do Rio, até o ritmo musical não é bem visto nas comunidades pacificadas. “Alguns PMs nos encaram como marginais. Tocar em algumas favelas é complicado”, contou.

O Dia - Diego Valdevino 

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