sábado, 8 de dezembro de 2012

Presos 11 acusados de integrar a maior milícia do Rio





Entre os presos está o pastor evangélico Dijanio Aires Diniz, acusado de usar igreja como escritório da polícia

Onze pessoas foram presas na Operação Pandora II, contra milícias no Rio, 
entre elas um pastor acusado de chefiar quadrilha 
(Foto: Fabiano Rocha / Ag. O Globo)

Onze pessoas acusadas de integrar o segundo escalão da milícia conhecida como Liga da Justiça, a maior em atividade no Rio de Janeiro, foram presas nesta quinta-feira (6) durante a Operação Pandora 2, desencadeada pela Secretaria de Segurança e pelo Ministério Público estadual. Os agentes também cumpriram 30 mandados de busca. Foram apreendidos R$ 30 mil em espécie, um caminhão com combustível possivelmente adulterado, três armas, cinco veículos importados, além de grande quantidade de munição, documentos e computadores. Uma central clandestina de distribuição de sinal de TV a cabo, conhecida como "gatonet", que contava com 5 mil assinantes, foi estourada. O bando é acusado dos crimes de formação de quadrilha armada, agiotagem e extorsão. Calcula-se que as atividades ilícitas rendiam cerca de R$ 500 mil mensais à quadrilha.

Entre os presos está o pastor evangélico Dijanio Aires Diniz, de 39 anos. Segundo o delegado Alexandre Capote, da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), o religioso utilizava sua igreja em Campo Grande, na zona oeste da capital fluminense, como escritório de agiotagem da milícia. "Ele emprestava dinheiro a qualquer pessoa, mas principalmente aos seus fiéis, e depois cobrava juros extorsivos de até 60% ao mês. Quando atrasavam o pagamento de uma parcela, o próprio pastor ameaçava as vítimas de morte".

A investigação, que durou um ano, também descobriu que a milícia começou a explorar uma nova atividade econômica: a venda de combustível adulterado. "Além da adulteração, os criminosos obtinham lacres falsificados de outros Estados e usavam notas fiscais frias para dar uma aparência de legalidade ao negócio. Por isso, acreditamos que os postos de gasolina que revendiam esse combustível agiam de boa-fé", explicou Capote. O delegado disse que o bando também ganhava dinheiro cobrando "taxa de segurança" de moradores, comerciantes e motoristas de transporte alternativo, detendo o monopólio na venda de botijões de gás na sua região de atuação e explorando máquinas caça-níqueis.

Duas pessoas que também tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça permanecem foragidas: André Marcelo Botti de Andrade e Cléber Oliveira da Silva.

Além do pastor, foram presos o ex-PM José Luiz Cordeiro Cavalcante da Silva, conhecido como Bolt, José Ribamar Gomes Passos, Elber Meireles Pessanha, Aline Barbosa da Silva, Antônio Claudino Ribeiro Blanco, Rhuan Claudius Martins Blanco, e Leandro José de Freitas da Silva. Outros três homens que estão presos desde maio tiveram a prisão decretada neste inquérito: o ex-PM Carlos Henrique Garcia Ramos, Luciano Alves da Silva, e Célio Alves Palmas Júnior.

O subchefe da Polícia Civil, Fernando Veloso, disse que novas operações serão realizadas com o objetivo de prender o ex-PM Toni Angelo de Souza Aguiar, acusado de chefiar a milícia desde a prisão do também ex-PM Ricardo Teixeira da Cruz, o Batman. Contra Toni Angelo há 11 mandados de prisão.

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