quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Capitã vítima do incêndio no RS era treinada para catástrofes, diz amiga







Acredito que possa ter morrido tentando salvar vidas, conta tenente.
Corpo de capitã Daniele Dias Mattos é velado nesta quarta no RJ.

Morta no incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, no último domingo (27), a capitã do Exército Daniele Dias Mattos, de 36 anos, era treinada para socorrer vítimas de catástrofes, segundo a amiga e tenente Silvia Nobre, que foi ao velório da militar nesta quarta-feira (30), na Capela Santa Isabel, em Inhaúma, no Subúrbio do Rio.

"Ela tinha vários cursos de socorro de castástrofe. Ela era muito humana e era treinada para isso. Acredito que possa ter morrido tentando salvar vidas", disse Silvia, que trabalhou por dois anos com Daniele. "Ela era calma, feliz e alegre. Se dedicava muito aos pacientes e lidava muito bem com eles. Ela era mais do que uma militar, mais que uma médica . Ela era muito simples e tinha uma luz própria. Ela foi um exemplo pra mim", completou.

O velório da militar começou às 8h na Capela Santa Isabel e o enterro está previsto para as 16h30, com honras militares, após cortejo fúnebre rumo ao Cemitério de Inhaúma.

Vítima deixa filha de 14 anos

Cardiologista do Hospital Central do Exército, em Triagem, por sete anos, ela estava a passeio em Santa Maria, onde já havia servido ao Exército, segundo a assessoria de comunicação do Comando Militar do Leste. Daniele era divorciada e deixa uma filha de 14 anos.

O caixão com o corpo da vitima está fechado, sob uma bandeira do Brasil. Militares do Primeiro Batalhão de Guarda estão na cerimônia usando um uniforme histórico da corporação. Às 15h, o corpo sairá em direção ao cemitério num cortejo fúnebre.

Outro militar morto

Nesta terça- feira (29), o corpo de outro militar do Rio, o tenente Leonardo de Lacerda, foi velado e cremado no Cemitério do Caju. Parentes, amigos e colegas de farda foram ao cemitério se despedir. O tenente e a capitão são uma das 234 vítimas do incêndio da boate Kiss, que pegou fogo durante uma festa universitária na cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, na madrugada de domingo (27).

"Pai nenhum deve receber a noticia da morte do seu filho. Ele morreu como um herói. Voltou para boate para salvar mais três vidas e acabou não conseguindo sair de lá", disse Marcelo Moreira, amigo e vizinho da família há 18 anos. O corpo de Leonardo será cremado no final da tarde desta terça no cemitério do Caju.

Muito abalados, os familiares não quiserem falar com os jornalistas e dispensaram as honras militares.

Segundo o coronel Mário Fonseca, do Comando Militar do Leste, a corporação perdeu num total de 8 militares na tragédia de Santa Maria. Ainda segundo ele, Leonardo estava no Sul há cerca de 4 meses e havia sido transferido para Santa Maria há 15 dias. "Quem estivesse ali, voltaria para salvar o companheiro. Este extinto de salvar é inerente a nossa profissão. A família está muito consternada e pediu para que nós não fizéssemos honras militares", contou.

Tragédia no Sul

Um incêndio na boate Kiss, em Santa Maria (RS), na madrugada de domingo (27) deixou 234 pessoas mortas e dezenas de feridos. O fogo começou por volta das 2h30 durante o show da banda Gurizada Fandangueira, que utilizou efeitos pirotécnicos na apresentação. As pessoas tentaram fugir pela única porta de saída da casa noturna.

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