sábado, 19 de janeiro de 2013

Especialistas contestam eficácia do detector de mentiras




O detector de mentiras não é exatamente uma novidade. Ele já existe há mais de 90 anos e é utilizado para investigações de agências e departamentos de polícia de várias partes do mundo, com destaque para o governo dos Estados Unidos. Mas ao contrário do detector de mentiras do futuro, apresentado no futurando desta semana, o sistema atual é o polígrafo, um equipamento que mede a variação de índices fisiológicos enquanto uma pessoa é submetida a um interrogatório.

O polígrafo foi inventado em 1921 por John Larson, da Universidade da Califórnia, e desde 1924 é utilizado pela polícia. Durante um interrogatório, o suspeito é submetido a um exame de detecção psicofisiológica de fraude. Sensores são ligados ao suspeito e registram a variação da pressão sanguínea, pulso, respiração, variação elétrica, flexão involuntária dos músculos etc. Assim, especialistas analisam os resultados e, por meio de probabilidades estatísticas, podem apontar em que momento o suspeito exitou ou mentiu sobre o que foi perguntado.

As análises podem ser feitas por qualquer pessoa. Mas a Associação Americana de Polígrafos (APA, na sigla em inglês) ressalta que as pessoas precisam passar por um treinamento intensivo de dez semanas, que inclui técnicas de entrevistas e manuseio do polígrafo e, ao final, testes de condução do processo de coleta de dados e análise.

Mesmo assim, esse método é contestado por diversos especialistas, os quais afirmam que o polígrafo não é um método seguro, porque pode ser facilmente enganado. Como o equipamento registra as variações das respostas, um indivíduo poderia forçar estímulos maiores do que o normal ao dar uma resposta verdadeira. Assim, quando disser uma mentira, o resultado seria o mesmo, não sendo possível identificar a diferença entre as respostas.

A APA lembra que, em 2003, um relatório da Academia Nacional de Ciências para o congresso norte-americano mostrou que não há evidências de que o polígrafo possa ser facilmente enganado. Além disso, o diretor da APA, Raymond Nelson, concorda que realmente não existem testes com 100% de confiabilidade - o atual detector de mentiras provou ser capaz de atingir de 89% a 95% de precisão, considerado satisfatório para o uso das autoridades. Nelson ainda comenta que, de fato, o polígrafo não funciona com pessoas que estejam com problemas de memória ou cognitivos, além de também não funcionar com psicóticos.

No Brasil, as autoridades também têm suas dúvidas quanto à eficiência do sistema, e por isso ele não é utilizado pela polícia. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, a justiça Brasileira não aceita os resultados do polígrafo como prova e declara inútil qualquer investigação policial com base em informações conseguidas por meio do detector de mentiras. Na Inglaterra, a discussão é a mesma, mas a justiça autorizou o uso do sistema para interrogar suspeitos de crimes sexuais.

Mesmo com tantas controvérsias, a tendência é uma evolução na forma de investigação das polícias em todo o mundo. Algumas já utilizam o detector de mentiras atual, e outras aguardam ter algo mais confiável, já que os resultados influenciam diretamente o destino das pessoas. Essa discussão estimula o aperfeiçoamento das tecnologias atuais e o surgimento de novas.

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