quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Internações de usuários de drogas





Internações de usuários de drogas
Internação por crack no HPS João XXIII aumenta 133%. Número deve superar o de usuários de cocaína em pouco tempo. Em BH, são três casos por semana de internação de viciados em estado grave.
Assim como nas ruas, o crack avança de forma avassaladora no sistema de saúde e tem mudado o perfil dos pacientes que chegam ao principal pronto-socorro do estado. O atendimento a usuários da pedra mais que dobrou nos últimos dois anos na unidade de toxicologia do Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, referência no tratamento de intoxicações graves, e, num ritmo acelerado, tende a ultrapassar ao de cocaína, campeã histórica entre os atendimentos de dependentes de álcool e outras drogas. Enquanto em 2010 o centro especializado atendeu 59 casos de usuários de crack, no ano passado foram 138, um aumento de 133%. A cada semana, são quase três "farrapos humanos", na palavra dos médicos, levados para o hospital.
É importante ressaltar, como alerta o coordenador da unidade, Délio Campolina, que os números desconsideram casos em que, apesar de ter usado crack, o dependente consumiu outras substâncias que têm ação preponderante no organismo, como medicamentos e veneno.
"A tendência é de que o crack supere a cocaína em atendimentos. Temos percebido que a gravidade dos casos está ainda maior", conta Campolina, lembrando que apenas pacientes em estado crítico são direcionados ao HPS. Ao contrário do crack, atendimentos a usuários de cocaína caíram 10% nos últimos dois anos, de 267 para 240.
"O crack vicia mais o usuário, pois chega ao cérebro muito rápido. Recebemos verdadeiros farrapos humanos", explica o médico. Levados pela família, amigos ou pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), os pacientes chegam com os mais variados sintomas. Há quadros de arritmia cardíaca, infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC), distúrbio intestinal. Um dos agravantes é o fato de o crack, um subproduto da cocaína, levar solvente, gasolina, talco, pó de mármore e até quetamina, um anestésico.
Como a unidade de toxicologia trata os sintomas, e não o vício, assim que recebem alta, os pacientes são orientados a procurar os centros de referência em saúde mental (Cersams), da rede municipal, e o Centro Mineiro de Toxicomania (CMT), do estado. Muitos, entretanto, preferem voltar para as ruas. É o caso de R., de 18 anos, viciada desde os 15, e M., de 27, que fuma há 6 anos. O rapaz já foi internado várias vezes, mas voltou a usar a pedra em outubro. Na última vez em que esteve internado, ele se cansou do tratamento e saiu por conta própria.
INTERNAÇÃO Diferentemente da política já anunciada em São Paulo e no Rio de Janeiro, Minas Gerais vai manter as internações compulsórias para usuários apenas em casos em que houver ordem judicial. O governo não pretende abordar usuários nas ruas e entrar na Justiça pedindo a internação, ainda que eles recusem o auxílio. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde, 356 pessoas com transtornos mentais foram internadas compulsoriamente no estado desde julho de 2011 até o dia 7. Desse total, 266 (74%) são dependentes químicos, especialmente de crack, uma média de 15 casos por mês.
No dia 3, o governador de São Paulo, Geraldo Ackmin, anunciou a criação do Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas, no Centro de São Paulo, para atendimentos involuntários aos casos de emergência. A internação involuntária em São Paulo, no entanto, será feita depois de uma equipe médica atestar que o usuário perdeu o domínio sobre sua saúde e condição física e terá acompanhamento da família. A medida está prevista para começar a funcionar no início da semana que vem. O Rio de Janeiro estuda também um projeto para adotar esse tipo de atendimento.
De acordo com o subsecretário de Políticas sobre Drogas de Minas Gerais, Cloves Benevides, a postura diferenciada de Minas parte do princípio de que não é o estado que deve decidir quem vai se tratar. Os casos em que Justiça manda internar são acompanhados por uma equipe multidisciplinar da Comissão Especial para Enfrentamento ao Crack, criada há cerca de um ano. Atualmente, 345 casos são monitorados e em 20% deles houve recaída depois que o paciente terminou o tratamento.
"Em Minas, a questão não se encerra na internação involuntária. Temos uma rede de assistência social e de saúde que acompanha o dependente e a família. Quando ele sai, é inserido em atividades e oficinas profissionais", afirma Benevides. O modelo de tratamento de usuários de crack e outras drogas já implantado em BH será expandido para 14 municípios, segundo Benevides. Na lista estão Governador Valadares (Vale do Rio Doce), Betim (Grande BH) e Juiz de Fora (Zona da Mata).
Em Belo Horizonte, a rede municipal de saúde também interna somente por medida judicial. Segundo a presidente do Conselho Municipal de Políticas sobre Drogas, Márcia Cristina Alves, os profissionais de saúde usam do convencimento de usuários para o tratamento. O trabalho é feito por quatro equipes de consultórios de rua intinerantes, que funcionam de segunda a sexta-feira, das 15h e às 21h. "O objetivo é criar um vínculo, a fim de estimular o diálogo e a confiança entre todos os envolvidos nessa primeira etapa. A partir daí, a ideia é oferecer alternativas de tratamento", informou a Secretaria Municipal de Saúde.
(fonte: www.em.mg.gov.br) 

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