domingo, 27 de janeiro de 2013

Mortes em confronto com a PM crescem 40%






Foram 323 casos em 2012 só na capital; n° reflete "guerra velada" entre PM e PCC

O número de pessoas mortas em confronto com a Polícia Mi­litar aumentou 40,4% entre 2011e2012na cidade de São Pau­lo. No ano passado, foram 323; no anterior, 230. O número é um forte indicativo da guerra não declarada entre apolícia eo crime organizado no ano passa­do, especialmente se considera­do o ritmo que essa alta teve durante 2012.

Se comparados os primeiros trimestres de 2011 e de 2012, a alta foi de 10,3%. Na comparação entre os segundos trimestres, ela até foi mais fraca: 8,6%. Mas no terceiro trimestre, quando a violência na capital atingiu o ápice do ano, o índice dobrou. Foram 92 casos entre julho e setembro em comparação com os 45 dos mesmos meses de 2011.

Na comparação entre os últimos trimestres de 2011 e de 2012, o número de mortos em confronto com a PM aumentou 59,6%. No Estado inteiro, 547 foram mortas em confronto com policiais militares no ano passado, uma alta de 25,2% em relação a 2011.

Postura. Para o coronel da re­serva da PM e ex-secretário na­cional de Segurança Pública Jo­sé Vicente da Silva Filho, o au­mento dos números de mortos em confrontos com a polícia e dos homicídios tem a mesma causa. "A polícia assumiu a pos­tura desde abril de combater os pontos de venda de drogas no varejo. E isso provocou uma reação de alguns grupos crimino­sos. E temos, infelizmente, o efeito de manada." Por outro lado, segundo o coronel, a polícia aumentou em cerca de 10% o número de prisões em flagran­te, uma mostra de que os poli­ciais estão mais na rua.

Já o presidente da Comissão de Segurança Pública da Ordem dos Advogados do Brasil seção São Paulo (OAB-SP), Arles Gonçalves Júnior, diz que, com a troca de comando da cúpula da Se­gurança Pública, as polícias es­tão tendo uma nova postura, de investigação no lugar do enfrentamento. "Se essas políticas per­sistirem, deveremos verificar queda nos índices de homicí­dios", afirma.

Nomenclatura. Os casos de mortes em confrontos com a PM são registrados como "resis­tências seguidas de morte", e não contam os homicídios dolo­sos e culposos cometidos por policiais militares. Um exem­plo de caso que não entraria nessa conta é a primeira chaci­na de 2013, no Campo Limpo, na zona sul. Anteontem, seis PMs foram presos acusados de matar sete pessoas no dia 4.

No último dia 8, uma resolu­ção da Secretaria da Segurança Pública determinou que os casos de "resistência seguida de morte" sejam chamados de "morte decorrente de interven­ção policial". Na época, o secre­tário Fernando Grella Vieira afirmou que era um modo de o governo sinalizar que "está dis­posto a investigar" cada caso.

Policiais. Os policiais também foram vítimas da guerra não de­clarada no ano passado. Nove PMs morreram em serviço no ano passado, um a menos que em 2011. No entanto, os dados não mostram quantos policiais foram executados em suas fol­gas. No total, até o dia 28 de dezembro, 106 PMs morreram no Estado. Mas não foi divulga­do quantos foram assassinados em 2011.

Vítima. A mais recente vítima desse confronto foi um policial militar de folga assassinado na madrugada de anteontem, em posto de combustível do Jar­dim Itapark, em Mauá, na Gran­de São Paulo. Segundo a PM, ele havia parado seu carro para abastecer quando três homens apareceram e atiraram. A polí­cia não confirmou se os crimi­nosos estavamapé ou se chega­ram em algum veículo. Depois de atirar, eles fugiram.

Testemunhas chamaram por socorro e a primeira equipe a chegar foi um carro da própria PM. Os colegas levaram o poli­cial ferido até o pronto-socor­ro do Hospital Municipal Nardini, onde o PM chegou a ser so­corrido, mas não resistiu aos fe­rimentos.

O nome do policial não foi informado pela SSP. Os poli­ciais não confirmaram se a ação foi filmada por câmeras do pos­to nem disseram se havia algu­ma pista sobre os acusados. 

Por DANIEL TRIELLI, BRUNO RIBEIRO E TIAGO DANTAS

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