sábado, 5 de janeiro de 2013

PMs são presos suspeitos de executar 3 rapazes na Grande SP




Um tenente, um sargento e 4 soldados teriam participado do crime.
Câmeras registraram a abordagem às vítimas na noite de 26 de dezembro.


Seis policiais militares, sendo um tenente, um sargento e quatro soldados, foram presos nesta sexta-feira (4) suspeitos de executarem três rapazes em Poá, na região metropolitana de São Paulo, segundo o major Marcelino Fernandes da Silva, chefe do departamento técnico da Corregedoria da Polícia Militar. Câmeras de um terminal de ônibus deste município flagraram os policiais abordando as vítimas na noite do dia 26 de dezembro do ano passado.

De acordo com o corregedor da PM, no entanto, as investigações por parte da Corregedoria só tiveram início a partir da denúncia do pai de uma das vítimas, no dia 29 de dezembro, com base no depoimento de testemunhas que presenciaram a abordagem aos rapazes. Fernando Ribeiro, de 17 anos, e os irmãos Tiago Rodrigues Alves, de 23 anos, e Alan Rodrigues Alves, de 18, estavam em um carro roubado, um modelo Classic vermelho, quando foram abordados pelos PMs. Das vítimas, apenas o mais velho tinha passagem pela polícia, por tráfico.

Após cerca de 40 minutos, tempo que durou a abordagem de acordo com as imagens registradas, os rapazes foram levados em duas viaturas, enquanto que o veículo roubado era dirigido por um dos policiais. O corpo de Fernando foi encontrado com dois tiros na nuca em Mogi das Cruzes, no dia seguinte, 27 de dezembro. E os dos dois irmãos, carbonizados em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo. O carro roubado foi localizado em Arujá, também na região metroplitana.

Segundo Marcelino, os corpos dos irmãos teriam sido reconhecidos por familiares por meio do tênis que calçavam. “Mas já foi pedido exames que comprovem a identidade deles”, disse. À Corregedoria, os policiais militares, lotados em um batalhão de Itaquaquecetuba, alegaram que realizaram apenas uma abordagem de rotina e negaram qualquer envolvimento no crime.

“Eles falaram que os civis foram liberados, o que já seria um crime, de prevaricação, já que eles estavam dirigindo um carro com registro de roubo. Além disso, não se justifica a presença deles em Poá, apesar de as cidades fazerem divisa. Foi uma operação desastrosa”, disse o major.

Com base nas imagens e nos depoimentos de testemunhas, os seis policiais militares, todos da Força Tática da PM, estão presos na Corregedoria e podem ser expulsos da corporação. “As provas contra eles são fortes, o que deverá determinar o pedido de prisão temporária ou preventiva deles. O que queremos deixar claro para todos é que a regra é prender, não matar”, disse o corregedor.

Dos seis suspeitos, apenas o tenente se envolveu recentemente com três ocorrências que resultaram em morte. O nome dos policiais por enquanto estão sendo mantidos sob sigilo para não atrapalhar as investigações. “Pode haver outros envolvidos”, justificou o corregedor.

Por Marcelo Mora

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