terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Segurança na internet é dever de pais, filhos e professores






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O número de denúncias de crimes e violações dos direitos humanos na internet vem crescendo. Somente em 2012, 11.305 endereços referentes ao Facebook foram denunciados à Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos (CND) - um aumento de 264,5%, comparado à 2011 (4.274).
Um alvo fácil para os criminosos que utilizam a falsa privacidade por trás da internet são as crianças e adolescentes que passam horas em frente ao computador. Um exemplo é a estudante Izabel Luizi Colling, 16, que afirma já ter nascido na "Era Digital" e, por isso, desde os 12 anos possui perfis em sites de relacionamento, como Orkut.
De acordo com Izabel, todos os amigos do seu convívio possuem fácil acesso às redes sociais. "Hoje utilizo mais Facebook, Twitter e Tumblr, e gosto muito porque é uma forma de me comunicar com as pessoas que não estão tão próximas, além de ser mais econômico que o telefone e mais fácil do que as cartas. Sou uma jovem internauta consciente porque só converso com quem realmente conheço", afirma. Mesmo assim, no perfil da estudante é possível ter acesso a informações pessoais, como telefone celular e escola.
Atenta a esses riscos, a advogada especialista em direito digital Patrícia Peck criou, em 2009, o "Movimento Família mais segura na internet" que visa à formação de usuários digitalmente corretos, através de campanhas de conscientização voltadas para pais, filhos (entre 8 e 18 anos) e escolas. Com um trabalho contínuo e gratuito, o movimento já atingiu mais de 8.800 participantes em 350 municípios do Brasil e 65 países.
Outro exemplo é da Maria Eduarda Nunes, 10, que teve o perfil no Facebook criado pela irmã há dois anos. "Apenas dois colegas de sala ainda não têm (perfil) porque os pais não deixam. Uso mais para conversar com os amigos e ter informações de coisas que gosto. Sempre verifico se tenho amigos em comum com uma pessoa que quer me adicionar", conta.
Segundo Patrícia, mesmo os jovens tomando esses cuidados, eles se tornam bastante vulneráveis. "O assédio de adultos com mais de 30 anos se dá principalmente com jovens entre 10 e 12 anos. Crianças com menos de 13 anos com perfil nas redes sociais descumprem os termos de usos dos sites, além dos pais poderem ser responsabilizados. A única forma de se fazer isso corretamente é o perfil ser criado pelos pais e que eles tenham o controle de dados, como senhas", diz.

Apenas 13% das escolas oferecem orientações de uso
Durante o período de férias, o estudante Arthur Teixeira, 12, diz que chega a ficar cerca de três horas por dia na internet. Para ele, isso só acontece porque não é possível mais brincar na rua. "É ruim porque as pessoas ficam só dentro de casa e o computador não nos deixa divertir direito", reclama. Segundo o estudante, esse debate já chegou às salas de aula, e os professores da escola onde estuda sempre tentam alertar sobre o uso correto da internet.
Porém, apenas 13% das escolas oferecem algum tipo de orientação para crianças e adolescentes, segundo o estudo "Panorama da Educação Digital no Brasil", realizado pelo Movimento Família mais Segura na Internet. A pesquisa, realizada entre julho e setembro de 2012, ouviu mais de mil escolas, sendo 58% públicas e 42% privadas, em mais de 20 Estados brasileiros.
Outro fator importante e que gera preocupação é que 48% dos pesquisados já disseram ter tido algum incidente de cyberbullying ou outro tipo de incidente envolvendo a internet.
A professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Shirlei Sales, tem observado que, no geral, há uma tentativa das escolas de "demonizar" o ciberespaço. "Mais do que ficar alardeando, prevenindo e combatendo os riscos dos meios digitais, as escolas precisam se abrir mais para as potencialidades que o ciberespaço oferece. As escolas podem utilizar os encantos da cibercultura para potencializar a vida dos estudantes e, assim, ter uma educação efetivamente transformadora da sociedade", diz.
Shirlei não vê as aulas específicas de educação digital como uma solução. "A maioria já domina bem o ciberespaço. No entanto, essa discussão poderia se tornar obrigatória em todos os cursos de licenciatura e de formação continuada de professores", sugere.
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Fonte: Serra das Águas

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