sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Brigada Militar abre inquérito para investigar ação de bombeiros





Inquérito vai apurar relatos de que bombeiros teriam pedido ajuda a civis durante a operação de resgate. Jovens que escaparam do incêndio teriam morrido ao voltar para socorrer vítimas

Por Ricardo Galhardo - enviado a Santa Maria (RS) 

A Brigada Militar do Rio Grande do Sul instaurou um inquérito policial militar para investigar a atuação do Corpo de Bombeiros na ação de resgate das vítimas do incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, na madrugada de domingo. Segundo um oficial de alta patente da corporação que pediu para não ter seu nome divulgado, um dos objetivos do inquérito são os relatos de que os bombeiros teriam pedido ajuda a civis durante a operação de resgate.

Algumas vítimas da tragédia eram frequentadores da boate que conseguiram sair a tempo mas voltaram para ajudar no resgate das pessoas que ainda estavam no local e acabaram morrendo intoxicados pela fumaça.
Deivid Dutra/A Razão
Vítima é socorrida por civis durante incêndio na boate em Santa Maria

A atuação dos bombeiros também é alvo de uma comissão interna de sindicância e do inquérito conduzido pela Polícia Civil. Além disso, supostas falhas da corporação no socorro às vítimas do incêndio se tornaram alvo de uma disputa política entre a prefeitura comandada pelo PMDB e o governo estadual, chefiado pelo PT, ao qual o Corpo de Bombeiros está subordinado. PT e PMDB são os principais rivais na disputa política gaúcha. O prefeito de Santa Maria, Cesar Schirer (PMDB), e o governador, Tarso Genro (PT), são adversários há décadas. O primeiro cargo público exercido por Tarso foi o de vereador em Santa Maria.

A atuação dos bombeiros também é questionada pela defesa dos donos da boate. Ontem o advogado Jáder Marques, que representa o empresário Elissandro “Kiko” Spohr, classificou a atuação como desastrosa e acusou os bombeiros de terem pedido ajuda a civis. Relatos ainda não comprovados dão conta de que membros da corporação teriam cedido lanternas a voluntários que participaram da ação de socorro.

O servidor público Ogier Rosado, que perdeu o filho Vinícius no incêndio, afirmou na manhã desta quinta-feira que o rapaz morreu enquanto ajudava no resgate. Ele foi levar a filha, Jéssica, que também estava na boate mas escapou com vida para prestar depoimento na 1ª Delegacia de Polícia de Santa Maria.

Segundo ele, a filha disse ter se encontrado com o irmão fora da boate mas Vinícius voltou para socorrer um amigo e morreu intoxicado. Rosado disse não ter provas de que os bombeiros tenham solicitado ou incentivado a participação de Vinícius no resgate, mas que sua filha irá declarar ao delegado, em depoimento, que viu o irmão e outras pessoas voltando para a boate com lanternas decidas pelos bombeiros.

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