sábado, 23 de fevereiro de 2013

Corregedoria tenta combater crimes praticados por militares em Alagoas






Aumento descontrolado de casos em 2012 motivou mudança de postura.
Em um ano, mais que dobrou o número de inquéritos abertos contra PMs.

Do G1 AL

Sempre muito criticado pelos altos índices de violência, o estado de Alagoas também pode atribuir essa referência àqueles que, em tese, deveriam nos proteger. Isso porque alguns policiais, profissionais que cuidam da segurança e do bem estar da população, estão, paradoxalmente, contribuindo para o aumento desses números.
Sub-corregedor Wellington mostra relatório que revela diminuição no número de inquéritos policiais em 2013 (Foto: Jonathan Lins/G1)Sub-corregedor mostra relatório que aponta
diminuição inquéritos contra policiais em 2013
(Foto: Jonathan Lins/G1)
A Polícia Militar vem tentando mudar essa desconfortável situação, mas a tarefa parece ser difícil. De acordo com o sub-corregedor da PM, ten. cel. Wellington, o aumento no número de militares envolvidos em casos de violência fez com que a corregedoria tomasse providências mais severas.
Ele conta que, em 2011, foram instaurados 75 Inquéritos Policiais Militares (IPM), um número que assusta, mas que é relativamente baixo quando comparado aos 119 registrados no ano passado.
“Se nós compararmos os anos anteriores, poderemos observar um grande aumento no número de ocorrências envolvendo policiais. Entre 2011 e 2012, registramos um aumento de 58% no número de inquéritos. Diante desses números, nos vimos obrigados a agir e lutar contra essa triste realidade”, completou.
De acordo com o banco de dados da Corregedoria Geral da PM, entre janeiro e fevereiro de 2013, o número de IPMs instaurados está 43% menor em relação ao mesmo período do ano anterior. Para o sub-corregedor, esses números mostram que, apesar do pouco tempo em que decidiram aguir enérgicamente, a Polícia Militar já está trabalhando ativamente para mudar essa realidade.
“Desde o início deste ano, a corregedoria está procurando fazer um trabalho intensivo, de maneira mais célere e rigorosa, para prevenir o surgimento de novos casos”, explicou o ten. cel. Wellington.
Flagrante
Um caso que ganhou repercussão nacional aconteceu em novembro do ano passado. Sete agentes do Batalhão de Rádio Patrulha de Maceió foram flagrados agredindo suspeitos desarmados no bairro do Trapiche. As imagens das agressões foram registradas por um cinegrafista amador e cedidas com exclusividade à TV Gazeta.
O vídeo, que pode ser visto na íntegra, mostra dois suspeitos rendidos de frente para um muro. Desarmados, eles não esboçam reação. Ainda assim, um policial chuta duas vezes o rapaz que está sem camisa.
Um outro policial também agride o suspeito. Em outro momento da gravação, duas mulheres são trazidas e se juntam ao grupo, enquanto os policiais apontam uma arma para eles. Em seguida, chegam mais cinco policiais. As agressões continuam e os outros suspeitos também são agredidos. Um dos policiais tira do colete uma arma de choque, não letal, e usa contra um dos homens, que estava ajoelhado.
À época, o comando da PM informou que qualquer arma só pode ser usada em casos extremos e reconheceu que a abordagem foi criminosa. A corregedoria também abriu um processo de investigação para identificar e punir os policiais agressores.
Em campo
Parecia mais um campo de batalha, mas era apenas o fim do jogo entre CSA e União pelo Campeonato Alagoano, no dia 30 de janeiro, em União dos Palmares, Zona da Mata do estado. A partida no Estádio Orlando Gomes de Barros terminou com o empate de 1 a 1 e muita confusão.
Oficiais do BOPE agridem torcedores em pleno gramado do estádio Orlando Gomes de Barros, em União dos Palmares-AL  (Foto: Reprodução/ SporTV)Militares do Bope agrediram torcedores a pontapés.
(Foto: Reprodução/ SporTV)
Torcedores dos dois clubes começaram uma briga no meio do campo e os policias do Batalhão de Operações Especiais (Bope), que faziam a segurança no dia do jogo, precisaram intervir. Porém, a ação dos policiais não foi exatamente o que se pode chamar de uma conduta adequada.
O que se viu, ao invés de uma ação sóbria da polícia, foi uma pancadaria desenfreada em que não era possível distinguir quem estava certo e quem estava errado. O caso também ganhou grande repercussão na imprensa nacional.
Casos recorrentes
O último caso de um militar investigado pela corregedoria envolveu um agente do Batalhão de Policiamento de Trânsito (BPTran). No último dia 2, o office-boy José Carlos da Silva Santos teria sido agredido covardemente pelo agente do BPTran em frente ao trabalho após a vítima pedir que o policial não deixasse os cachorros com que passeava urinar na calçada do estabelecimento.
Segundo Antônia Adalgiza, esposa da vítima, o policial teria se revoltado com o pedido e dado início à agressão. A esposa conta que o suspeito agrediu Santos com socos e pontapés, causando-lhe várias fraturas. Além de uma fratura no nariz, a vítima também ficou com o rosto desfigurado e sem conseguir falar por conta de uma fratura na mandíbula e vários dentes quebrados.
"Foi uma coisa horrível, ele agrediu o José Carlos gratuitamente. Meu marido está respirando com dificuldades, se alimentando só de líquidos, fora o dano psicológico, que sem dúvidas é o pior. Esperamos que a justiça seja feita”, disse Adalgiza em entrevista à reportagem do G1 na última terça-feira (19).
Mesmo com os casos recentes, o sub-corregedor da PM acredita que o recuo dos números no comparativo entre os dois primeiros meses deste ano com o mesmo perído de 2012 já serve como um alento aos que cobram por Justiça. "Nós temos noção de que o número de inquéritos dos anos anteriores não é motivador, mas estamos lutando arduamente para mudar o quadro", garantiu o ten. cel. Wellington
.

0 comentários:

Postar um comentário

Deixe o seu comentário, ele é muito importante!

EMPRÉSTIMO CONSIGNADO