quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Presos de SC irão para unidades de segurança máxima






Governo federal ajudará a combater onda de ataques; governador recusa reforço da Força Nacional de Segurança

BRASÍLIA e FLORIANÓPOLIS O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, anunciou ontem que o governo federal participará da elaboração de um plano de ação para conter a onda de violência em Santa Catarina. Ele se reuniu com o governador Raimundo Colombo (PSD) para tratar do assunto. Nos últimos dias, a polícia registrou 61 ataques a ônibus e a unidades policiais. Os ataques seriam reação de criminosos contra agentes penitenciários acusados de maltratar presos. Por temer novas reações, o ministro e o governador não quiseram revelar que medidas serão adotadas.

- Combinamos um aprofundamento da atuação de nossos órgãos de inteligência policial, para tomarmos as medidas corretas. Também decidimos, em data a ser fixada, uma reunião das equipes técnicas do Ministério da Justiça e do governo do estado para que possamos traçar um plano de enfrentamento da violência - disse Cardozo.

Os dois acertaram também a transferência de alguns presos, acusados de ordenar os ataques, para um presídio federal de segurança máxima. Mas os nomes dos detentos só devem ser divulgados depois de concluída a transferência. O governo evita tratar do assunto publicamente, pois a revelação antecipada da identidade de presos a serem transferidos pode estimular planos de resgate. Cardozo também ofereceu a Força Nacional de Segurança, mas Colombo entende que, no momento, esse tipo de ajuda não é necessária.

Um vídeo divulgado sábado mostra cenas de agentes de um presídio em Joinville atirando pelas costas nos presos, com balas de borracha. Os detentos estavam sentados, sem camisa e com os rostos voltados para a parede. Colombo disse que oito agentes foram afastados e que as acusações de maus-tratos estão sendo investigadas:

- Estamos fazendo uma investigação do vídeo, dos acontecimentos. Nós não aceitamos, não toleramos tortura.

O coordenador do Grupo de Combate ao Crime Organizado, promotor Alexandre Graziotin, disse que começou a investigar um CD em que um preso da penitenciária de São Pedro de Alcântara diz que "a bomba vai explodir" se o governo não acabar com maus-tratos a detentos.

A programação de carnaval em Santa Catarina não será alterada. A PM informou que já havia um efetivo reservado para os eventos e que foram suspensas férias de policiais do setor administrativo.

O setor de turismo diz que não houve cancelamentos de pacotes e de reservas.

- Essas ações não pretendem atingir o turista nem a população. A programação está mantida e não temos preocupação - disse o presidente da Federação dos Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares, Estanislau Bresolin.

Mais seis atentados ocorreram ontem. Em Blumenau, um ônibus foi incendiado, sem feridos.

Por Jailton de Carvalho / Juraci Perboni*

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