quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

PT quer controle do Conselho de Ética






Por Caio Junqueira | De Brasília

O PT já se articula para controlar o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, órgão que deverá analisar os processos contra os deputados condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do mensalão.

Os petistas conversaram sobre o assunto com o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), responsável pela nomeação da presidência do órgão. Ele sinalizou que nenhuma decisão será tomada sem o aval do PT da Câmara.

Os petistas ainda não sabem o que é melhor: colocar no comando do Conselho um integrante de sua bancada ou um aliado de confiança. Se prosperar a tese de o PT assumir, a tendência é de que o escolhido seja o deputado Sibá Machado (AC).

Ele é considerado dentro da bancada como de extrema confiança para cumprir a missão de coordenar os processos de cassação dos condenados pelo STF, José Genoino (PT-SP), João Paulo Cunha (PT-SP), Pedro Henry (PP-MS) e Valdemar Costa Neto (PR-SP).

Em 2003, quando Sibá assumiu a vaga de suplente da então senadora petista Marina Silva, ele viria a cumprir função semelhante a que se prepara para ele agora dois anos depois, ao participar da CPI dos Correios, que investigou o mensalão. Ao Valor, Sibá confirma a sondagem: "Se for do interesse partidário, eu assumo a função."

Integrantes do PT, porém, temem uma reação negativa em uma aberta articulação para colocar um dos seus quadros nos comandos dos trabalhos. O que abriria espaço para um aliado de confiança, que poderia ser dos outros dois partidos envolvidos, PP e PR.

O problema é que o deputado Ricardo Izar (PSD-SP) está em campanha para assumir o Conselho de Ética, com a promessa de rigor na condução dos trabalhos. "É um órgão importante que infelizmente não tem atuado da forma como se espera", disse Izar.

Os petistas não querem que ele assuma. Alegam, por um lado, que ele é filho de Ricardo Izar, deputado já falecido que coordenou os trabalhos do conselho durante o mensalão, com extremo rigor. Além disso, Izar tem defendido, para arrepio dos petistas, que não haja mais necessidade de relatório preliminar antes de o processo tramitar na Casa. Assim, o julgamento seria mais rápido. Seria votado diretamente no órgão e depois no plenário.

Já a Comissão de Finanças e Tributação, também muito importante na Casa, deve ser mantida com o PMDB de Minas Gerais. O mais cotado para assumir o posto é o deputado João Magalhães (MG), mas Leonardo Quintão e Mauro Lopes também podem se apresentar na disputa. O líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), disse que a indicação do nome cabe à bancada de Minas. "Vai ser do PMDB de Minas porque é a maior bancada e porque me apoiou."

Ele afirmou que nem mesmo o fato de o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), ter feito acordo para entregar a comissão ao deputado Guilherme Campos (PSD-SP), será empecilho para que o PMDB-MG assuma seu comando. "Quem fez o acordo foi o Henrique, não fui eu." Cunha também anunciou a distribuição de funções na bancada. O deputado Manoel Júnior (PB) cuidará das relações com o governo; Júnior Coimbra (TO) das comissões permanentes; Danilo Forte (CE) das comissões mistas; Eliseu Padilha (RS) do plenário; e Giroto (MS) do Orçamento.

O ex-ministro José Dirceu, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e os deputados federais José Genoino e João Paulo Cunha foram as estrelas ontem da festa de comemoração dos 60 anos de militância do ex-deputado Ricardo Zarattini, na Casa de Portugal ontem em São Paulo. Dirceu, Delúbio, Genoino e João Paulo discursaram e foram aclamados por uma plateia de deputados, prefeitos, secretários municipais, dirigente petistas e militantes.

Os condenados no mensalão distribuíram beijos e abraços, posaram para fotos, seguraram a bandeira do PT. Dirceu chegou a arriscar passinhos de dança, enquanto uma banda tocava ao vivo. A festa foi regada a cerveja, refrigerantes e salgadinhos. Ao discursar, com a voz enrolada, Delúbio disse que "a experiência do mensalão" ajudará o PT a superar dificuldades e afirmou que o partido é alvo de uma "luta de classes". 

(Colaborou Cristiane Agostine, de São Paulo)

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