terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Servidores apontam situação precária em delegacias de Porto Velho





"A gente vai dando um jeitinho", diz delegado sobre situação de DPs.
Sesdec afirma que está previsto plano de reforma nas unidades.

Entrada da Central de Polícia, em Porto Velho (Foto: Vanessa Vasconcelos/G1)

“A gente vai dando um jeitinho, troca lâmpada, providencia a limpeza, mas tem um dia que cansa”, diz Alessandro Morey, delegado presidente do Sindicato dos Delegados da Polícia Civil de Rondônia (Sindepro), sobre a estrutura precária das Delegacias de Policia (DP) de Porto Velho. Falta de material de limpeza, expediente e até de gasolina são algumas das dificuldades enfrentadas pelos servidores.

Melhores condições de trabalho, essa foi uma das reivindicações dos servidores da Polícia Civil durante a greve da categoria, que durou quase 50 dias, no final no ano passado. Morey conta que, na época, os agentes tinham que lidar com a falta de gasolina e materiais básicos de limpeza e expediente. “Ali, nós mostramos para a sociedade a situação que os servidores enfrentam diariamente”, diz o presidente do Sindepro.

Delegada precisa abrir janela para iluminar a sala onde trabalha (Foto: Vanessa Vasconcelos/G1)

A situação de precariedade se repete nas oito DPs de Porto Velho, em prédios com instalações com teias de aranha, mofos, iluminação inadequada e falta de espaço.

As delegacias de Homicídio, Furtos e Roubos de Veículos e Patrimônio, por exemplo, funcionam em um mesmo prédio, que há mais de 10 anos não passa por reformas. “Agora está um pouco melhor, visualmente, porque conseguimos pintar no final do ano passado”, relata Alessandro, que também é diretor da Divisão de Homicídios.

Com a pouca iluminação do prédio, servidores recorrem à luz natural para clarear o ambiente. “Preciso abrir a janela pra iluminar a sala para que eu consiga trabalhar", relata a delegada Leisaloma Carvalho, da Delegacia de Homicídios.

Na parte externa do prédio, mato, lama e veículos apreendidos dividem o espaço. Com o muro baixo e sem portão, é constante a ação de vândalos no local. “É recorrente o caso de veículos danificados, com peças roubadas”, revela Morey.

Motocicletas empilhadas no corredor da Delegacia de Homicídios, devido a falta de espaço.
(Foto: Vanessa Vasconcelos/G1)

Só existe um único depósito para as motocicletas apreendidas, que é compartilhado entre a Homicídios e Furtos e Roubos, com a falta de espaço, os veículos estão empilhados em um vão que separa as duas áreas do prédio, e algumas ocupam o corredor da delegacia, onde vítimas e testemunhas costumam aguardar para serem ouvidas.

Não há servidores específicos para realizarem a limpeza das DPs, serviço que é realizado por apenados, mas há casos em que os próprios policiais realizam a limpeza do local, trocam lâmpadas e até fazem café. “São situações que dificultam nosso bem estar no ambiente de trabalho”, afirma Morey.

Segundo o presidente do Sindepro, a estrutura da polícia não acompanhou o desenvolvimento do estado, sendo a mesma de vinte anos atrás. “Fazemos a nossa parte, mas precisamos ter mais estrutura. A cada dia a criminalidade está aumentando, a população está crescendo, o estado está se desenvolvendo e a gente não pode ficar estagnado”, desabafa o delegado.

Durante quatro anos, a central de flagrantes ocupou o espaço de um prédio no Bairro Areal, região central de Porto Velho, enquanto que a estrutura antiga passava por reformas. Com móveis antigos, e a falta de espaço, objetos apreendidos, muitas vezes, ocupam a entrada da delegacia. Motos e veículos ficam estacionados do lado de fora da delegacia, na rua, até que a Justiça determine o destino. “É assim em todas as DPs, pode ir em qualquer uma”, disse um delegado que não quis se identificar. Apesar de uma nova sede ter sido inaugurada na quinta-feira (7), não há previsão para que a estrutura comece, efetivamente, a funcionar.

Na Zona Leste, o 6º e o 8º DP ocupam o mesmo espaço desde que a reforma no primeiro departamento iniciou, há dois meses, de acordo com a Secretaria de Estado de Segurança Defesa e Cidadania (Sesdec).

As demais delegacias devem passar por reforma básica ainda neste ano, para manter os atendimentos. Segundo o secretário de Sesdec, Marcelo Bessa, também em 2013 devem começar as obras de quatro Unidades Integradas de Segurança Pública (Unisp), uma em cada Zona da cidade, que substituirão as atuais DPs. "Já temos o projeto básico destas unidades, que deverão ser licitadas até março para iniciar a execução neste ano ainda", afirma o secretário. Segundo ele, as obras devem durar cerca de 10 meses.

Já quanto a delegacia de trânsito, Bessa afirmou que deve permanecer no mesmo local e que não há previsões para investimento da melhora da estrutura física da unidade.

Está previsto a construção de um edifício sede da Polícia Civil, que deve comportar também um complexo com as delegacias especializadas - Patrimônio, Homicídios, Furtos e Roubos, entre outras - apontou Marcelo Bessa.
Mato e lama tomam conta do entorno de delegacia, onde ficam depositados veículos apreendidos (Foto: Vanessa Vasconcelos/G1)

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