quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Visão do Correio :: Enem supera fase de vexames





Correio Braziliense

Mais do que o desempenho de escolas e alunos no país, era a credibilidade do próprio sistema de avaliação que estava em xeque no fim de semana, quando 4,17 milhões de estudantes compareceram aos locais de provas para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Afinal, depois dos comprometedores problemas verificados em 2009, 2010 e 2011, havia fortes motivos para apreensões, mas, para alívio de organizadores e participantes, os registros negativos não passaram de incidentes pontuais. 

O Enem cresceu em importância ao passar a ser alternativa de acesso à universidade, hoje já aceita nas 59 instituições federais e em algumas particulares. Também tornou-se pré-requisito para o acesso ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), ao Programa Universidade para Todos (ProUni) e ao Ciência sem Fronteiras. Tudo contribui para aumentar a ansiedade dos avaliados, agravada nos últimos três anos pela repetição de irregularidades e fraudes. Ora, é essencial garantir ao candidato condições plenas para que possa revelar todo o potencial do aprendizado adquirido nos estudos. Portanto, o nervosismo provocado na presente edição pelos antecedentes das três anteriores ainda prevaleceu como fator adverso. 

Até aí, não havia muito a fazer do ponto de vista psicológico. Apenas para o futuro, o bem-sucedido planejamento de agora poderá reverter em mais tranquilidade. E embora o gigantismo do Enem, segundo maior exame do mundo — só menor do que o vestibular da China —, não se pode admitir falhas em sua execução. Nesse aspecto, é imperativo, inclusive, que se puna com rigor os que tentaram conturbar o ambiente. Eliminar aqueles que postaram imagens da avaliação em redes sociais na internet, mesmo advertidos de que tal era proibido, é medida punitiva exemplar para o primeiro momento. Mas não suficiente. Também precisa ser devidamente responsabilizado o indivíduo que postou no Twitter o falso aviso de que as provas haviam sido canceladas.

Por fim, todo cuidado é pouco na fase de correção. Já há polêmica em torno do tema da redação, “O movimento imigratório para o Brasil no século 21”, considerado complexo. Pelo menos, alguns avanços serão testados este ano justamente nessa etapa. Um diz respeito à transparência: pela primeira vez, todos os participantes poderão ter acesso às redações corrigidas. Outro, à equidade: o texto será analisado por dois profissionais. Caso haja discrepância significativa entre ambos (mais de 200 pontos — a nota máxima é mil), um terceiro corretor fará a leitura. Se ainda assim a diferença permanecer grande, uma banca examinadora entrará em ação. 

O Enem teve 5,79 milhões de inscritos, número superior ao da população de países como a Dinamarca e a Finlândia. As provas foram realizadas em 15.076 locais de 1.615 municípios. Só na fiscalização e na logística, trabalharam meio milhão de pessoas. Mas a verdadeira grandiosidade do exame está em contribuir para melhorar a educação no país. E somente com ensino qualificado o Brasil será verdadeiramente grande.

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