sábado, 23 de fevereiro de 2013

Yoani e os gorilas






Plácido Fernandes Vieira

A passagem de Yoani Sánchez pelo Brasil me deixou apreensivo sobre o futuro deste país. Agente da CIA, do governo de Havana ou apenas uma mulher em busca de liberdade? Seja quem for, de Fidel ao papa, defendo como sagrado o legítimo direito ao protesto, à vaia, à discordância e à liberdade de expressão. Mas as claques organizadas, melhor dizendo, cooptadas, para calar a dissidente cubana a todo custo protagonizaram um espetáculo vexaminoso, deprimente, beirando a estupidez. Não fosse a segurança escalada para protegê-la, temo que a viagem ao Brasil teria sido a última da vida de Yoani.

Em um debate na tevê houve até quem defendesse como “democrática” a truculência da turba. Yoani que arrumasse uma tropa capaz de gritar mais do que aquela, argumentou. Ora, em tese, a democracia ainda é o mais civilizado dos sistemas políticos até hoje experimentados, justamente por garantir a liberdade de expressão a todos os cidadãos, faça esse cidadão parte da maioria ou de uma minoria. Briga-se com palavras, argumentos, ideias.

Agora, estupefato mesmo fiquei ao testemunhar gente que eu considerava civilizada — apesar das divergências políticas — aplaudir como “democrática” a selvageria dos brucutus que silenciaram à força a visitante. Se batem palmas para eles, imagino que, por analogia, devem achar igualmente “democrática” a perseguição aos judeus protagonizadas por Hitler, eleito nas urnas e que contava com uma maioria milhões de vezes maior a ovacioná-lo enquanto calava, caçava e exterminava judeus. Sabemos bem no que deu essa “democracia”.

Falo de Hitler, mas poderia simplesmente citar a ditadura dos irmãos Fidel e Raúl Castro. Sim, não há paraíso — e Cuba está longe disso — que justifique a extinção das liberdades individuais. Se, no planeta inteiro, grande parte dos políticos não estivesse empenhada apenas em defender os próprios interesses, já teria percebido que o melhor dos mundos está em construir uma sociedade menos desigual, mais fraterna, justa, solidária. Que garanta dignidade, educação, saúde e moradia a cada um dos seus cidadãos. Isso deveria ser cláusula pétrea na Declaração Universal dos Direitos Humanos. O governante que não cumprisse a determinação seria levado a um tribunal internacional e submetido a processo de impeachment. Aí, sim, teria fim essa farsa, essa demagogia barata, vergonhosa, de quem faz política em cima da miséria alheia.

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