segunda-feira, 11 de março de 2013

Armas de fogo mataram 800 mil em três décadas no Brasil




Além dos homicídios, o número inclui acidentes, suicídios e mortes sem causa determinada

Cerca de 800.000 pessoas morreram devido a armas de fogo no Brasil entre 1980 e 2010, a maioria jovens com menos de 30 anos vítimas de homicídio, segundo estudo privado sobre a violência publicado esta quarta-feira.

Além dos homicídios, o número inclui acidentes, suicídios e mortes sem causa determinada, segundo o Mapa da Violência 2013, elaborado a partir de dados do Ministério da Saúde.

Entre 1980 e 2010, último ano com dados processados, morreram vítimas de armas de fogo 799.226 pessoas no Brasil, das quais 670.946 referentes a homicídios.

Ainda segundo a pesquisa, muito atrás estão as mortes por causas indeterminadas (79.464), os suicídios (34.052) e os acidentes (14.764).

Dessas quase 800.000 vítimas, 56% (450.255) eram jovens com idades entre os 15 e os 29 anos.

Só em 2010, 38.892 pessoas morreram por armas de fogo, 95% por homicídio, o que implica uma média diária de 106 vítimas de tiros. O sociólogo Julio Waiselfisz, autor do estudo, falou à AFP.

— Países mais populosos que o Brasil, como China, Índia, Estados Unidos e Indonésia têm números muito menores, o que revela a dimensão do problema.

Com quase 194 milhões de habitantes, o Brasil registrou em 2010 mais homicídios com armas de fogo do que, por exemplo, os Estados Unidos em 2008, quando foram registrados 12.179, acrescentou o pesquisador.

Entre 100 países, o Mapa da Violência põe o Brasil como o país com a nona taxa mais elevada de mortes por armas de fogo por 100 mil habitantes, atrás de El Salvador, Venezuela, Guatemala e Colômbia, entre outros.

O estudo determinou um viés racial nos homicídios cometidos no Brasil em 2010.

Naquele ano foram registrados 9.478 homicídios de brancos e 25.026 de negros, sem levar em conta outras populações, como as indígenas, explica o autor do estudo.

— Os negros são mais pobres do que os brancos e moram em locais onde a segurança pública é insuficiente. Além disso, não têm os recursos dos brancos para pagar por segurança privada.

A pesquisa, segundo Waiselfisz, alerta não só para as cifras elevadas da violência por arma de fogo, como também dá explicações.

— No Brasil, ter e usar uma arma de fogo é fácil. Aqui, as armas são usadas para resolver conflitos que muitas vezes ocorrem por motivos fúteis, além disso a impunidade é muito alta.

Estima-se que só em 2005 houvessem 15,2 milhões de armas em mãos de particulares, segundo o estudo.

Um ano antes, em 2004, o Brasil implementou uma política de desarmamento que inclui campanhas para a entrega de armas em troca de um bônus que pode chegar a 225 dólares.

Entre 2004 e o começo de janeiro deste ano, foram entregues voluntariamente 616.446 armas, de acordo com números oficiais da Campanha Nacional de Desarmamento.

Em sua pesquisa, Waiselfisz determinou que as mortes por armas de fogo tiveram uma tendência ascendente entre 1980 e 2003.

Depois daquele ano, os números caíram graças às políticas de segurança e desarmamento implementadas pelo Estado.

— As políticas mostraram ser eficientes para deter a tendência de alta, mas revelaram ser insuficientes para conter o fenômeno.

Entre os estados brasileiros com as mais elevadas taxas de homicídio por armas de fogo em 100.000 habitantes estão Alagoas (nordeste), Espírito Santo (sudeste) e Pará (norte).

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