sábado, 2 de março de 2013

Exército joga areia em festa VIP no Forte de Copacabana






Militares antecipam em um dia fim do clube, por temer protesto

Laura Antunes

O pelotão de gaiatos que prometia invadir amanhã, com geladeiras de isopor e farnéis de farofa, galinha e maionese, a praia do Forte de Copacabana - transformada, desde janeiro, num clube privê para banhistas abastados - ganhou a primeira batalha. O Exército rescindiu ontem o termo de permissão de uso da área com a empresa Aqueloo Beach Club. Assim, o espaço de lazer na faixa de areia encerra suas atividades hoje, às 20h, e não mais amanhã, como previsto no contrato.

No comunicado enviado à direção do Aqueloo, o comandante do Forte de Copacabana, coronel Jefferson Lages dos Santos, admite que o motivo da rescisão foi mesmo a segurança, diante da ameaça de ocupação da faixa de areia pelo movimento "Nós vamos invadir sua praia", criado no Facebook: "Informo que este autorizador tomou conhecimento de uma série de informações, que apontam para graves problemas de ordem pública, segurança de pessoas e instalações, no domingo próximo. Diante do exposto, conforme alerta feito anteriormente, comunico que estou rescindindo o termo de permissão de uso um dia antes de seu termo final".

Mas, ao recuar estrategicamente para evitar cenas de "IPTU baixíssimo" entre povão e VIPs, o comando do forte parece não ter acertado no alvo, pois parte dos manifestantes promete antecipar o protesto para hoje. Já outra metade garante manter a programação inicial e estará, portanto, a postos amanhã, com vuvuzelas e tambores, em frente à área militar, mesmo com o beach club fechado. A ideia é chegar à praia de barco.

O empresário responsável pelo Aqueloo, Daniel Barcinski, disse ter sido surpreendido com a decisão do Exército. Segundo ele, a preocupação imediata foi comunicar o fato aos clientes, que já haviam reservado os 18 camarotes (entre R$ 4 mil e R$ 20 mil, cada). A expectativa era lotação esgotada: 500 ingressos (de R$ 90 e R$ 250) à venda. Diplomático, ele não revelou as cifras do prejuízo. Garantiu que não pretende entrar com qualquer medida judicial contra o Exército pela rescisão. Daniel admite, porém, que sonha em reinstalar o beach club no próximo verão no Forte de Copacabana.

- Estamos tranquilos porque cumprimos as exigência para a instalação. Temos toda a documentação, obtida em todas as esferas para o funcionamento. Então, por que não sonharmos em voltar no próximo verão? Vamos nos esforçar para isso - afirma ele, acrescentando que nenhum cliente pagou antecipadamente pelo evento de domingo.

O espaço VIP reúne, de quinta a domingo, desde janeiro, uma turma de banhistas endinheirados, atraída pelos mimos do Aqueloo. Os clientes têm à disposição serviço de bar, restaurante e salão de beleza. O cardápio é assinado pela chef Monique Benoliel. DJs animam, com música eletrônica, a faixa de areia, equipada com pista de dança. Mas os preços são salgados como a água do mar: alugar uma mesa de quatro lugares custa mil reais, uma garrafa de champanhe vale R$ 1,5 mil e um roupão não sai por menos de R$ 300.

Os moradores dos prédios vizinhos, de fora da festa, botaram a boca no trombone contra a música alta. E não querem ver nem pintado o Aqueloo no próximo verão.

Procurado pelo GLOBO, o comando do forte não quis comentar a decisão.

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