quinta-feira, 28 de março de 2013

Teto da polícia será de R$ 22 mil





Com o reajuste de 15,8% concedido aos servidores das polícias Civil e Militar e do Corpo de Bombeiros, os maiores salários se aproximarão dos vencimentos do governador. Correção será aplicada em três etapas e deve evitar novas paralisações das categorias

SAULO ARAÚJO

O reajuste de 15,8% concedido às forças de segurança do Distrito Federal elevará o salário de delegado da Polícia Civil em fim de carreira para R$ 22,8 mil. Já um coronel da Polícia Militar passará a receber R$ 17.949. Os valores são uma projeção para 2015, considerando que o aumento foi dividido em três anos. A primeira parcela é retroativa a 1º de março. Já os agentes e os soldados da PM e do Corpo de Bombeiros recém-formados terão vencimentos de R$ 8.337 e R$ 4.979, respectivamente. O Projeto de Lei nº 4921, de 2012, aprovado pelo Senado Federal na terça-feira, segue agora para sanção da presidente Dilma Rousseff. No caso da Polícia Civil, um outro projeto de lei aprovado pelos parlamentares autoriza a criação de 3.029 cargos na instituição. Desse total, 2 mil serão agentes e 400, delegados.

O projeto do reajuste previa a correção das remunerações a partir de março deste ano. Como a presidente vai sacionar a proposta já em abril, a próxima folha de pagamento trará a diferença relativa ao período.

Apesar de integrarem as tropas mais bem pagas e equipadas do país, representantes das três corporações não estão completamente satisfeitos. O presidente da Associação dos Oficiais da Polícia Militar, coronel Sérgio Souza, defende um reajuste de pelo menos 26%. "Na verdade, a diferença salarial entre os militares em comparação com outras forças de segurança aumentou ainda mais. Vale lembrar, ainda, que (os 15,8%) não cobre a inflação do período em que ficamos sem qualquer aumento. Mas vamos continuar negociando e buscando melhorias."

O presidente do Sindicato dos Policiais Civis do DF (Sinpol), Ciro de Freitas, também lamentou o percentual aprovado, mas entendeu que os valores parecem razoáveis. "Dentro do contexto global, tendo em vista que 99% dos servidores públicos foram agraciados com esse reajuste, foi até bom. Aceitamos porque tivemos ganhos indiretos como a criação de cargos. Essa é uma conquista histórica, considerando que nosso efetivo é o mesmo há mais de duas décadas", disse. Com o reajuste, o delegado em fim de carreira ganhará R$ 2 mil a mais do que deputado distrital e secretário de Governo e R$ 4 mil a menos do que o governador do DF.

A conquista veio depois de integrantes das polícias Civil e Militar radicalizarem em 2012. Os agentes protagonizaram a maior greve da história da instituição. Já soldados e oficiais passaram a retardar o atendimento de ocorrências (leia Memória). O presidente do Sinpol acredita que 2013 será estável para os policiais civis, mas não descarta um novo movimento. "Falta ainda o encaminhamento de mais alguns projetos. Acredito que, se mantivermos o diálogo aberto com o governo e formos atendidos, não teremos greve neste ano", afirmou.

Com o efetivo maior, o diretor-geral da Polícia Civil, Jorge Xavier, pretende sugerir a abertura de delegacias em cidades como Itapoã e Águas Claras. "Esse é um dos nossos objetivos. Hoje, nós já temos até terreno para construir uma unidade no Itapoã, mas não há pessoal. Além disso, uma das nossas demandas é descentralizar o trabalho da Deam (Delegacia Especial de Atendimento à Mulher) e criar um centro de referência em Ceilândia", projeta Xavier.

Política ampla

O governador Agnelo Queiroz declarou que o reajuste concedido às corporações faz parte de uma política mais ampla, voltada para a redução da criminalidade. Ele também lembrou outras ações tomadas a fim de deixar as corporações mais aparelhadas. "Tivemos um reforço das equipes, principalmente no Corpo de Bombeiros. O aumento nos salários e no efetivo de policiais em mais de 3 mil homens vai nos permitir fazer concursos. Fora isso, várias ações foram tomadas depois do Programa Ação pela Vida, que prevê, entre outras coisas, a parceria das polícias Civil e Militar. Por fim, instalamos novas unidades móveis, com o emprego de carros e motos no patrulhamento ostensivo", destacou o governador.

Memória

Paralisação, atraso e prejuízos à população

As três corporações conquistaram o reajuste depois de causarem enormes prejuízos à população do Distrito Federal no ano passado. Os agentes da Polícia Civil, por exemplo, cruzaram os braços durante 82 dias em 2012, a maior paralisação da história da corporação. No período, a violência registrou aumento em quase todas as modalidades criminosas. Março, auge do movimento, fechou com um saldo de 88 assassinatos, quase o dobro da média verificada em outros meses. Para piorar, a Polícia Militar deflagrou a chamada Operação Padrão. Como a Constituição Federal proíbe greve de militares, soldados e oficiais passaram a atrasar o atendimento das ocorrências. A mobilização durou quase dois meses e desafiou o comando da PM. No caso da Polícia Civil, a greve só foi encerrada depois de a Justiça determinar que todo o efetivo voltasse ao trabalho. Já os policiais militares acabaram com a Operação Tartaruga após os governos federal e local prometerem manter o diálogo sobre a extensa pauta de reivindicação, que incluía restruturação da carreira e reajuste salarial de pelo menos 26%.

No contra-cheque

O reajuste de 15,8% será dividido em três anos, retroativo a 1º de março. Ou seja, em 2015, as remunerações dos policias civis e militares e dos bombeiros ficarão da seguinte forma:

Polícia Civil

Agente (piso)

de R$ 7,2 mil para R$ 8.337

Delegado especial (teto)

de R$ 19.699 para R$ 22.811

Polícia Militar e Corpo de Bombeiros

Soldado (piso)

de R$ 4,3 mil para R$ 4.979

Coronel (teto)

de R$ 15,5 mil para R$ 17.949

Fonte: http://www.exercito.gov.br

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