sábado, 13 de abril de 2013

Condenados mais dois integrantes da Galoucura




Após mais de 11 horas de julgamento, foram condenados ontem, 12 de abril, mais dois integrantes da Galoucura acusados de participar da ação que resultou na morte de O.F. e feriu outras quatro vítimas em frente ao Chevrolet Hall, em novembro de 2010. R.A.P. e W.T.P foram condenados a 14 anos de prisão, ao final do julgamento realizado no 2º Tribunal do Júri do Fórum Lafayette, em Belo Horizonte. Os réus devem aguardar eventual recurso presos.

Aos acusados foram aplicadas as penas de 12 anos pelo homicídio e mais dois anos por formação de quadrilha. Ambos foram absolvidos do crime de tentativa de homicídio. Os trabalhos terminaram por volta das 21h.

A sessão começou às 9h30 e foi presidida pelo juiz Glauco Eduardo Soares Fernandes. O promotor Francisco de Assis Santiago representou o Ministério Público. A defesa foi comandada pelo advogado Dino Miraglia Filho. Foram arroladas 28 testemunhas. Entre as testemunhas ouvidas, estavam policiais militares que trabalharam no dia do evento.

Por volta das 12h o juiz começou a ouvir R.A.P., presidente da Galoucura à época dos fatos. O réu disse que nunca havia brigado nos sete anos que presidiu a torcida organizada. Contou que, antes de dirigir a agremiação, se envolvera em brigas. Disse não ter comunicado à Polícia Militar que a Galoucura iria ao Chevrolet Hall, pois era o terceiro evento desse tipo do qual a torcida participava e, nas vezes anteriores, não houvera problemas. Já W.T.P., disse que não conseguiria interromper o confronto, pois nem o Batalhão de Choque, que é treinado para isso e estava presente, foi capaz. Por isso ele voltou para dentro do ginásio ao visualizar a confusão. Declarou também que, como um tenente da Polícia havia feito contato para avisar da possibilidade da presença de torcedores do Cruzeiro, deduzira que, ao saírem do evento, se os cruzeirenses lá estivessem, estariam escoltados pela Polícia. Informou que está preso preventivamente há um ano e seis meses e acredita ter sido acusado devido à rivalidade entre as torcidas.

Após pausa para almoço, os trabalhos foram reabertos às 15h15 com os debates. O Ministério Público começou expondo seus argumentos. A estratégia foi enfatizar a participação dos réus no crime, na medida em que eles, como dirigentes da Galoucura, lideravam os integrantes da torcida presentes ao evento e poderiam ter impedido as agressões que resultaram na morte de O.F. e ferimentos de outras vítimas. Durante a argumentação, o promotor Francisco Santiago exibiu vídeos das câmeras de segurança do Chevrolet Hall no dia do evento, mostrando a saída rápida e em bloco de torcedores da Galoucura e as agressões do lado de fora do local. O assistente do Ministério Público, Zanone Manoel de Oliveira questionou se há a necessidade da presença de torcidas organizadas e o que elas agregam para a sociedade.

A defesa iniciou sua argumentação por volta das 18h. Rebateu a tese da acusação, dizendo que não havia como conter briga generalizada entre torcedores de Atlético e Cruzeiro, mesmo os réus sendo líderes da Galoucura. Sustentou que a segurança do evento não cabia à torcida organizada atleticana. Foi questionada também a qualidade da atuação da perícia e do delegado durante a fase de investigação, de inquérito. O advogado Dino Miraglia leu vários depoimentos de vítimas, outros acusados e testemunhas frisando a ausência de provas concretas contra os réus. Conforme alegou, em nenhum momento, foi ouvida por nenhum dos citados depoentes ordem de ataque por parte dos acusados para agressão aos torcedores cruzeirenses após a saída dos atleticanos do evento de luta. Também entendeu que não foi provado que R.A.P. E W.T.P. estavam a frente do grupo autor das agressões que resultaram na morte de O.F.

Denúncia

O Ministério Público denunciou 12 componentes da Galoucura por homicídio qualificado, tentativa de homicídio, concurso de pessoas e formação de quadrilha. Consta na denúncia que, em novembro de 2010, eles estavam num evento de luta livre no Chevrolet Hall, região sul de Belo Horizonte. Quando os líderes da Galoucura ficaram sabendo da chegada de membros da torcida rival, saíram da casa de shows e agrediram cinco torcedores, “com ações extremamente violentas”, utilizando paus e cavaletes, o que culminou na morte de O.F. Os outros agredidos, C.R.S., E.W.M., L.Z.F. e R.M.O., ficaram bastante feridos.

Condenações anteriores

Seis membros da Galoucura foram condenados no último dia 31 de janeiro pelo Conselho de Sentença do 2º Tribunal do Júri do Fórum Lafayette.

Todos foram condenados pelo crime de formação de quadrilha. C.H.S.A. e M.V.O.M. foram inocentados do crime de tentativa de homicídio. J.P.C.S. e M.V.O.M. foram condenados ainda pelo crime de homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e por meio insidioso ou cruel.

Dosagem das penas

M.V.O.M. deverá cumprir 17 anos de reclusão; e J.P.C.S., 15 anos e 10 meses, ambos em regime inicialmente fechado. C.H.S.A., E.D.R.J., J.J.S.B. e W.L.D.S. deverão cumprir dois anos de reclusão, em regime aberto. O juiz manteve a prisão de quatro réus e a liberdade dos outros dois.

Leia notícia na íntegra em  http://www.tjmg.jus.br

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