domingo, 8 de setembro de 2013

SP - Polícia vai terceirizar serviço de atendimento 190.





A ação é polêmica e ha dúvidas sobre a capacidade de civis terem o mesmo "sangue frio" que militares possuem para tratar de situações de grande stress. Mas o governo acredita que isso pode "liberar" mais policiais para trabalhar nas ruas.

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo vai terceirizar o atendimento de emergências por telefone da Polícia Militar - o disque 190. Empresas privadas serão contratadas por licitação. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse nesta quarta-feira que a iniciativa é "positiva".

"É um estudo que está sendo feito, que ainda não está definido", disse Alckmin durante evento no Palácio dos Bandeirantes. O projeto-piloto, porém, está pronto e começa pela capital paulista, Osasco e São José dos Campos. O modelo de licitação já está definido e aguarda aval jurídico.

Alckmin argumentou que o objetivo é liberar parte dos 700 PMs do 190 para que voltem às ruas. "Devemos ter cada vez mais o policial na atividade-fim. O policial é um profissional extremamente especializado. Você pode ter civis nesse trabalho, liberando os policiais", disse o governador.

Estudo da PM apontou que, com 150 000 ligações por dia, o atendimento 24 horas deveria ter 1 200 funcionários. Sem ter como retirar mais policiais das ruas para reforçar a equipe do disque, o governo decidiu testar um modelo que funciona em Minas Gerais, Distrito Federal, Rio de Janeiro e Sergipe.

"Essa medida faz parte de uma atividade que já está sendo desenvolvida faz um tempo pela Polícia Militar, que é eliminar o emprego de policial em atividade-meio e empregá-lo em atividade-fim", diz o secretário da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira.

As equipes contratadas serão treinadas e trabalharão sob orientação de policiais, segundo a PM.

Nordeste - Em janeiro de 2010, a morte de um comerciante que ligou para o 190 levantou dúvidas sobre a terceirização em Sergipe. A vítima ligou e informou que havia suspeitos em uma moto na frente de sua loja. A atendente pediu placa, detalhes dos homens e não processou o pedido. O comerciante foi morto com um tiro na cabeça. A proposta de terceirizar, no entanto, é criticada por especialistas em segurança pública. "O argumento de que vai reforçar o policiamento na rua não procede. Boa parte [dos policiais] não tem mais o perfil", disse o analista criminal Guaracy Mingardi, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Para ele, se parte dos 700 PMs que atuam nos 15 Comandos de Operação da Polícia Militar (Copom) for liberada, o número é muito baixo para resolver a falta de policiais nas ruas. O efetivo de São Paulo passa dos 90 000 policiais militares.

Para o coronel da reserva José Vicente da Silva Filho, o ideal seria optar por policiais aposentados ou com problemas de locomoção: "Em Nova York, quem faz o atendimento são senhoras de cadeiras de rodas. Pode dar certo o atendimento com terceirizados, mas é preciso um bom treinamento e que eles atuem sempre com a supervisão da PM".

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